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10+ VoD 2023

As tradicionais listas de melhores discos do ano não poderiam ficar de fora do Vira o Disco. Então, vamos apresentar aqueles que escolhemos como os mais legais, mais empolgantes, mais relevantes trabalhos lançados ao longo de 2023.

Coletâneas, discos de covers e álbuns com regravações ao vivo não poderiam ser votados pelos integrantes aqui do VoD. O resultado final é curioso e ao mesmo tempo coerente com o nosso site. O campeoníssimo foi quase unânime, mas também tivemos alguns empates que exigiram votações extras.

O formato é o clássico: cada um de nós escolheu seus dez favoritos e depois compilamos os resultados. Cada álbum em primeiro lugar ganhou 10 pontos, o segundo lugar levava 9 e assim por diante, até o décimo lugar ganhando 1 ponto.

E aqui está a nossa lista final com os 10+ do Vira o Disco em 2023!

10. Pretenders – Relentless

9. Guided By Voices – La La Land

8. Wilco – Cousin

7. Foo Fighters – But Here We Are

6. Boygenius – The Record

5. Iggy Pop – Every Loser

4. Blur – Ballad of Darren

3. Teenage Fanclub – Nothing Lasts Forever

2. Depeche Mode – Memento Mori

1. Rolling Stones – Hackney Diamonds

E pra quem está curioso pra saber como cada um de nós votou, abaixo estão as listas individuais.

Marcelo Scherer

1. Guided By Voices – La la land

Mesmo que o nome do álbum remeta aquele um filme musical, pode acreditar, esse disco é o destaque de 2023. Se você gosta das melodias setentistas do The Who e a crueza do The Stooges, tenho certeza que não vai se arrepender. A título de curiosidade desde 2019 a banda vem lançando discos como se não houvesse amanhã, são 3 a cada ano e 2023 não foi diferente. E para quem não conhece e acha que é uma banda nova, ela está na estrada desde o meio dos anos 80.

2. Depeche Mode – Memento Mori

Clássica banda inglesa que lançou um dos melhores do ano. É bom ver que Dave Gahan e Martin Gore superaram o luto de Andy Fletcher. O disco é um dos mais perfeitos em uma discografia idem. Só temos a agradecer aos remanescentes da banda por não deixar a peteca cair.

3. Blur – Ballad Of Darren

Sério, o Blur amadureceu incrivelmente bem, esse é daqueles discos que você não está esperando, não que os discos anteriores da banda fossem ruim, mas esse é de uma profundidade e maturidade musical incrível.

4. PJ Harvey – I Inside The Old Year Dying

PJ é uma das favoritas da casa e não ficaria de fora dessa lista por nada, mesmo sendo um álbum introspectivo e não lembrando em nada aquela fúria juvenil dos seus primeiros discos, aqui, ela desmancha qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade com suas melodias apuradas e voz doce.

5. Iggy Pop – Every Loser

O padrinho do punk rock voltou com tudo, depois do “experimental” Free de 2019, em Every Loser, ele retorna ao som que o tornou famoso, guitarras barulhentas e sons punks com refrãos grudentos, sem deixar elementos dançantes e baladas que fazem parte de sua trajetória.

6. Slowdive – Everything Is Alive

Para quem achou que Slowdive ia mergulhar no mais puro shoegaze, aquele no qual se tornaram populares nos anos 90, pode se frustar, isso porque em Everything Is Alive, a banda incorporou uma sonoridade mais moderna com elementos eletrônicos e pitadas de new wave para seu som.

7. Wilco – Cousin

Não tem como comparar este álbum com o disco de 2022, o duplo e maravilhoso, Cruel Country, mas Cousin é um grande álbum e possui todos os elementos sonoros do Wilco. Baladas, rocks e o folk rock que acompanham a banda desde sempre.

8. Queens Of The Stone Age – In Times New Roman…

Rock do jeito que só o QOTSA sabe fazer, não é o disco genial mas é um disco muito gostoso de ouvir, energético e com as esquisitices de seu líder. Aliás, um disco que marca volta por cima de Josh Homme que descobriu um câncer e passou por uma cirurgia para retirá-lo.

9. Yo la Tengo – This Stupid World

Dream pop, shoegaze, vocais intercalados, melodias contagiantes e andamento sonoro que só eles sabem fazer. Yo La Tengo não decepcionou e trouxe sua mistura musical irretocável. Noise e pop na medida certa como um disco do Yo La Tengo tem que ser.

10. Terraplana – Olhar Pra Trás

Aqui a representação da nova safra brasileira de rock, um álbum de estreia muito bem equilibrado, com personalidade, com melodias e ruídos muito bem compostos, lindos demais. Terraplana do Paraná surpreendeu a todos com seu shoegaze e o disco Olhar Pra Trás é a prova disso.

Luis Brod

1. ROLLING STONES – HACKNEY DIAMONDS

Com mais de 60 anos de estrada, a dupla Jagger/Richards, acompanhada de Ron Wood, mostra que ainda tem muita lenha pra queimar. Um disco recheado de grandes canções, muita emoção e convidados especialíssimos, não podia não colocar os avôs do rock em primeiro lugar. É um disco que mexeu comigo.

2. BLUR – THE BALLAD OD DARREN

Com uma sonoridade mais melancólica e influências que vão de Lou Reed a Radiohead, o Blur retorna depois de oito anos com o belíssimo The Ballad of Darren. A edição em CD é lindíssima, com embalagem quadrada no formato mini-vinil e encarte com 14 páginas trazendo as letras. E na versão nacional, ainda há um mini pôster.

3. DEPECHE MODE – MEMENTO MORI

Quando foi lançado em março, eu estava numa fase de ouvir a discografia da banda. E MEMENTO MORI veio num momento delicado de minha vida e da história da banda. Um disco que parece ter sido escrito pra mim, mas que na verdade é uma homenagem a Andy Fletcher. Wagging Tongue é, sem dúvida, uma das melhores músicas de 2023.

4. BOYGENIUS – THE RECORD

O que dizer desse supergrupo de garotas? Seja imitando o Nirvana na capa da Rolling Stone ou o Crosby, Stills & Nash na capa de seu EP, The Record é um disco que potencializa demais a parte emocional do trio, evidenciando o que cada uma tem de melhor a oferecer. E o disco transita por diversas temáticas, e é ai que mora a beleza desse disco. Ouça Satanist que você vai entender.

5. LANKUM – FALSE LANKUM

Outro disco lançado em março deste ano. Em seu novo álbum, o grupo de Dublin embala o ouvinte com canções suaves, requintadas, cheias de harmonia, mas sem perder a sua intensidade gótica. A revista MOJO definiu muito bem False Lankum: “Se a música folk moderna precisa de seu próprio OK Computer ou seu próprio The Dark Side of the Moon, então pode muito bem ser isso”.

6. THE HIVES – THE DEATH OF RANDY FITZSIMMONS

Diversão. É assim que eu posso definir esse disco. A história por trás desse disco chega a ser cômica. Randy Fitzsimmons era um esquilo considerado o sexto membro da banda que morreu em circustâncias misteriosas e foi enterrado com letras e músicas que dariam um novo álbum. Na verdade, o hiato foi pelos problemas de saude de Nick Arson, guitarrista da banda. Um disco de rock nu e cru.

7. TEENAGE FANCLUB – NOTHING LASTS FOREVER

Sabe aquele disco com tom de despedida? Sim, esse é o sentimento que tenho ao ouvir Nothing Lasts Forever. O que sempre me atraiu na banda foi esse namoro com o The Byrds, Beatles e os Beach Boys. E aqui não é diferente. Um disco bastante reflexivo, refletindo o lado pessoal da banda no pós-pandemia. Acho que o termo que mais se enquadra nesse disco é “maduro”.

8. FOO FIGHTERS – BUT HERE WE ARE

Se o disco anterior tem tom de despedida, esse tem um tom de recomeço. É o disco que veio depois de perder uma peça fundamental da banda, o baterista Taylor Hawkins. Todos achavamos que a banda poderia não continuar. E ai vem But Here We Are. Também tem um tom melancólico, mas ao mesmo tempo envolvente. É sobre como as pessoas são arrancadas de nossas vidas num sopro, de forma repentina e cruel.

9. BARONESS – STONE

Após uma produção errônea em Gold & Grey, o Baroness parece ter se reencontrado em Stone. Um album inspirado e que mostra o porque o Baronees é uma das bandas mais legais dos últimos tempos no seu estilo que, aliás, eu não consigo definir com precisão. É stoner, é Metal, é psicodélico, é experimentalismo? Aliás, há um flerte aqui com novas sonoridades, que deixa o disco ainda mais interessante.

10. BLACK PUMAS – CHRONICLES OF A DIAMOND

O segundo álbum de estúdio dos texanos é um álbum incrível de R&B, me lembra muito o que o Smokey Robinson fazia nos anos 60/70. Ele é realmente contagiante e a audição só vai crescendo a cada vez. Uma experiência recomendadíssima.

Rodrigo Melão

1. TEENAGE FANCLUB – Nothing Lasts Forever

Norman Blake e Raymond McGinley retornam, 2 anos após o ótimo Endless Arcade, e entregam um álbum solar e comovente – ao mesmo tempo e na mesma proporção. Não é a primeira vez que o Teenage Fanclub foca na passagem do tempo e na resignação do tempo e da vida adulta. Melodias agridoces, despedidas e emoção de quem e para quem não queria envelhecer, mas que percebe o quão implacável é o tempo.

2. DEPECHE MODE – Memento Mori

Mais despedidas, mais emoções. No primeiro álbum sem Andrew Fletcher, Martin Gore e Dave Gahan entregam melodias consistentes e uma das melhores músicas de 2023 -Wagging Tongue.
Memento Mori é um álbum contemplativo, dançante e, com o perdão do trocadilho, memorável.

3. ROLLING STONES – Hackney Diamonds

Definitivamente, mais despedidas. 
O primeiro álbum dos Stones sem Charlie Watts, ainda que sua música figure por ali. Depois de mais de 20 anos sem lançamentos inéditos, os velhos Stones acenam para um futuro que, todos sabemos, será breve, e o faz com respeito e celebração aos momentos gloriosos do passado. 
Um grande álbum, que, no futuro, estará elencado entre os grandes trabalhos da banda.

4. WILCO – Cousin

A banda que nunca erra. O prolífico Jeff Tweedy entrega mais um trabalho “fora da ordem”: quase como tradição, o Wilco não foca seus esforços no gênero pelo qual costuma ser catalogado – o Alt Country – e prova ser capaz de transitar entre o rock convencional, o experimentalismo, o minimalismo e as estranhezas, sem nunca deixar de soar contemporâneo.

5. POLARA – Partilha 

15 anos após Inacabado (2008), o Polara retorna com um álbum consistente e maduro. Os integrantes (e ex-integrantes) do Polara tem passagens por bandas experientes do mainstream e do underground brasileiro, e toda essa experiência resulta num álbum urbano, intenso, urgente e por vezes incômodo. 

6. COWBOY JUNKIES – Such Ferocious Beauty

O que mais impressiona em Such Ferocious Beauty é que Margo Timmins não precisa cantar para que saibamos que este é mais um álbum do Cowboy Junkies. Na verdade, as primeiras ressonâncias de “What I Lost” evocam a melancolia e a languidez tão características desta banda. Um album autêntico, quase idiossincrático, que dialoga diretamente com o coração dos fãs da banda.

7. MUDHONEY – Plastic Energy

Mark Arm e Steve Turner, vocalista e guitarristas do Mudhoney, não precisam provar nada pra ninguém. Toda a história da música garageira de Seattle devem tributos a esses sujeitos, que tocam juntos desde a primeira metade dos anos 80 (quando montaram “a pior banda do mundo”, Mr. Epp and The Calculations”). Ainda assim, Plastic Energy funde a aspereza e a tosquice típica do Mudhoney e os apresenta para a geração atual, sem soar boomer.

8. SLOWDIVE – Everything Is Alive

Quem esperava melodias etéreas e contemplativas, ganhou. Quem não esperava, também ganhou.
Slowdive entrega um álbum diferente, com influências eletrônicas e de indie rock contemporâneo, mas com a identidade construída pela banda nos anos 90. Na virada do século a banda, a gravou excelentes álbuns  sob alcunha Mojave 3, com características diferentes do Slowdive. Everything is Alive consegue amalgamar as características dessas duas bandas – que na verdade é a mesma banda!

9. TERRAPLANA – Olhar para trás 

Estilizado em letras minúsculas, o terraplana é de Curitiba/PR, entrega um som cheio de camadas, ruídos, intensidades sonoras, que são contrastadas com um vocal etéreo, doce e contemplativo. Shoegaze, post-rock, dream-pop e muita introspecção expurgadas de forma brilhante. O terraplana estreia com competência e carisma.

10. CRYPTA – Shades Of Sorrow

Death Metal é um gênero bruto, visceral. Mas a Crypta consegue, em seu segundo álbum, evocar sentimentos emocionais, como resignação, medo, arrependimentos, raiva. 
Não resta dúvidas: a banda é um dos grandes nomes do gênero no mundo. Riffs dilacerantes de Tainá e Jessica nas guitarras. LInhas de baixo e bateria ultra consistentes de Luana e Fernanda, que também é visceral (sem abandonar técnica) nos vocais. 
Shades of Sorrow tem tudo o que o Death Metal noventista tem, e ainda moderniza o estilo para toda uma nova geração.

Filipe Silva

1. ROLLING STONES – HACKNEY DIAMONDS
2. FOO FIGHTERS – BUT HERE WE ARE
3. THE NATIONAL – FIRST TWO PAGES OF FRANKENSTEIN
4. BOYGENIUS – THE RECORD
5. TEENAGE FANCLUB – NOTHING LASTS FOREVER
6. SUFJAN STEVENS – JAVELIN
7. THE CLIENTELE – I AM NOT THERE ANYMORE
8. PRETENDERS – RELENTLESS
9. WEDNESDAY – RAT SAW GOD
10. EVERYTHING BUT THE GIRL – FUSE

Cristian Fetter

1. ROLLING STONES – HACKNEY DIAMONDS
2. PAUL RODGERS – MIDNIGHT ROSE
3. IGGY POP – EVERY LOSER
4. THE COLD STARES – VOICES
5. PRETENDERS – RELENTLESS
6. TEENAGE FANCLUB – NOTHING LASTS FOREVER
7. YO LA TENGO – THIS STUPID WORLD
8. OK GOODNIGHT – THE FOX AND THE BIRD
9. PAUL SIMON – SEVE PSALMS
10. YES – MIRROR TO THE SKY

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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