Discos

30 anos de Siamese Dream do The Smashing Pumpkins

Hoje vou falar de Siamese Dream, segundo álbum que completa 30 anos em 2023, mais precisamente dia 27 de julho.

Depois do estouro de Nevermind do Nirvana e o inesperado sucesso de Gish, o primeiro álbum do Smashing Pumpkins, a crítica musical colocou muita fé na banda e o apontou como o próximo Nivana.

E esse foi o clima de pré-produção e gravação do álbum, soma-se a essa pressão, os problemas com heroína de Chamberlin e o fim do relacionamento entre o guitarrista James Iha e a baixista D’arcy e estava armada a bomba relógio no grupo.

Billy Corgan também estava sofrendo de depressão e em decorrência disso de bloqueios criativos e foi atrás de ajuda psicológica profissional. E
vendo o caminho que a banda estava tomando, insistiu para que os demais membros também o fizesse.

Em 2011, Corgan relembrou esse momento sinistro pelo qual passavam e disse que na época pensava em suicídio, já fantasiando em sua mente seu próprio funeral.

As sessões de terapia e também de gravações podem ser vistas no documentário Vieuphoria que saiu no ano seguinte ao lançamento do álbum.

A Produção

A produção mais uma vez ficou a cargo de Butch Vig repetindo a dose de Gish. O disco foi gravado entre dezembro de 1992 e Março de 1993 e segundo o produtor a banda chegava ficar 16h no estúdio.

Butch Vig afirmou: “Queríamos fazer um álbum com um som muito ambicioso. Tudo foi feito em fita analógica, por isso consumia muito tempo. Estávamos trabalhando 12 horas por dia, seis vezes por dia. semana por cerca de três meses, e nos últimos dois meses trabalhamos sete dias por semana, 14 ou 15 horas por dia porque estávamos atrasados.”

Devido ao estado da banda, muitas das partes gravadas por Iha e Darcy, foram refeitas por Corgan pois relação entre o ex-casal era péssima o que afetou seus respectivos desempenhos no estúdio.

O lado lírico e musica de Siamese Dream

Como citei antes Blly Corgan sofrendo de depressão e a pressão sobre seus ombros buscou ajuda profissional e isso acabou se refletindo nas letras do discos que se tornaram mais explícitas sobre seu passado conturbado e suas inseguranças.

Musicalmente o projeto era ambicioso e rendeu ótimos frutos a banda, o disco levou eles ao topo chegando ao 10° lugar na Billboard e a nomeação para os Grammy Awards, na categoria “Best Alternative Music Album” e para “Best Hard Rock Performance with Vocal” em 1994.

Foram lançados 4 singles, ” Cherub Rock”, ” Today”, “Disarm” e “Rocket” mas todas faixas chamam a atenção no álbum.

Uma curiosidade é que muitas pessoas vão categorizar o disco, o chamam não só de rock alternativo e os coloca em outros subgêneros do estilo como dream pop e shoegaze.

Realmente, Billy Corgan adorava a produção do álbum Loveless do My Bloody Valantine, disco que apresentou ao mundo o estilo shoegaze.

Marcelo Scherer

Jornalista, fundador do Disconecta, do Canal Disconecta no Youtube e colaborador do coletivo Vira o Disco.

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