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A primeira despedida do Echo & The Bunnymen

O último álbum da fase clássica do Echo and the Bunnymen talvez seja a melhor maneira de conhecer a banda, para quem nunca escutou um disco desse (outro) quarteto de Liverpool.

Lançado em 6 de julho de 1987, após um hiato de três anos em relação ao aclamado trabalho anterior, Ocean Rain, o álbum homônimo dos Bunnymen é mais dançante, mais leve, mais pop. Ainda é bem diferente do que a imensa maioria das bandas fazia na época, porém há menos escarpas e pedregulhos pelo caminho.

O sucesso comercial e, principalmente, os elogios exorbitantes à Ocean Rain mexeram com a estrutura dessa banda que nunca foi muito estável. O baterista Pete de Freitas chegou a largar o grupo ainda em 1985, só voltando no começo de 1987. O vocalista Ian McCulloch estava afundado no álcool e com seu estrelismo ainda mais exarcebado.

Algo que logo chama a atenção no disco é a troca dos, até então, sempre presentes arranjos de cordas por teclados. Ainda que em uma das faixas quem toque seja ninguém menos que Ray Manzarek, do The Doors. Porém, com isso a produção suave remove grande parte da mística e intensidade da banda. A talentosa cozinha é reduzida a coadjuvante discreta. O baixo de Pattinson fica enterrado sob os teclados, e mesmo Pete De Freitas pouco se destaca. A remasterização de 2003 tenta, inclusive, corrigir essa mixagem.

Os dois primeiros singles são poderosos, tem cara de hit, de música pra explodir além do nicho alternativo: The Game e Lips Like Sugar são irresistíveis. A primeira é agridoce e cativante, a segunda dançante e energética. Cada uma delas está estrategicamente abrindo os lados do vinil.

Também muito bem escolhidas são as duas canções que fecham as metades do LP: Bombers Bay e All My Life são deliciosamente lentas e envolventes. Esta última foi a única produzida por Gil Norton (as demais contam com Laurie Latham na produção) e sua sonoridade é bem distinta do restante do disco, recuperando a grandiosidade do disco anterior.

A já citada participação de Manzarek acontece na faixa mais Doors do álbum, a ótima Bedbugs & Ballyhoo, onde até Les Pattinson acha espaço pra brilhar.

As demais canções passeiam entre o bom e o pouco memorável sem nunca ser desagradável. É um álbum que talvez destoe do som padrão que criou a história da banda, mas aqui o Echo ainda conseguia fazer muito mesmo quando queria “apenas” ser pop.

Pete de Freitas faleceria dois anos depois e o Echo nunca mais seria o mesmo. Entre despedidas e retornos, algumas ótimas canções e outras apenas descartáveis. Mas esse é outro assunto.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

One thought on “A primeira despedida do Echo & The Bunnymen

  • Euler Coelho Silva

    A banda foi um marco na história da música, eu curti muito as músicas e o som dos caras

    Resposta

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