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A Rainha Está Morta, Garotos

37 anos atrás os Smiths alcançavam seu auge criativo com “The Queen is Dead”, seu terceiro álbum de estúdio.

Conciso, sarcástico, melancólico, pesado, pop e ácido, é o disco mais famoso e mais importante da banda.

Ironizando a monarquia, Margaret Thatcher, a igreja e as gravadoras, ou lamentando a solidão e desespero, ou ainda fazendo piada consigo mesmo, Morrissey entrega suas melhores e mais celebradas letras nesse disco.

E Johnny Marr envolve cada uma delas em melodias pop-jangle grudentas, em riffs concisamente brilhantes, brincando com ritmos e alternando estilos.

Andy Rourke oferece linhas de baixo melódicas e habilidosas, com enorme destaque para “Cemetry Gates”.

A performance de Mike Joyce é precisa, dinâmica e energética. E o ponto alto é, sem dúvida, “Bigmouth Strikes Again”.

No lado A, somos apresentados a uma atmosfera tensa e reflexiva, onde a faixa-título domina com sua sonoridade pesada e letras que ironizam o establishment. A voz de Morrissey soa com desdém enquanto ele questiona a monarquia e a opressão, dando um tom de desafio às autoridades. Em contraponto, “I Know it’s Over” emerge como uma das músicas mais melancólicas já gravadas pela banda. A vulnerabilidade nas letras e na voz emotiva de Morrissey nos levam a uma jornada de completo desalento.

No lado B, os Smiths trazem seus hits inconfundíveis. É como se eles reservassem essa parte do álbum para nos presentear com canções que grudam na memória e nos fazem cantar junto. “Bigmouth Strikes Again” com seu riff cativante e tom sarcástico, e “The Boy with the Thorn in His Side”, uma ode à marginalidade e ao amor proibido, são apenas algumas das joias escondidas nessa segunda metade. Mas é “There is a Light That Never Goes Out” que marca o ápice do álbum, um hino para os desajustados, com seu refrão arrebatador.

Porém, não há qualquer faixa aqui menos importante, deslocada ou dispensável. Um álbum para se ouvir inteiro, para ser celebrado sempre.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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