Discos

A Storm In Heaven, 30 anos

Antes de comentar sobre o álbum de estreia do Verve, A Storm In Heaven – que logo mudaria para The Verve por causa da gravadora de jazz americana do mesmo nome – quero discorrer sobre um cara chamado John Leckie.

Se você ainda não ouviu esse nome, então vou te contar mais sobre ele. John Leckie é o cara por trás do Stone Roses e seu debut, The Bends (Radiohead), This Nation’s Saving Grace (The Fall) e Wish You Were Here (Pink Floyd). Pronto. Agora imagina esse cara declarar para o mundo todo ouvir que ele IMPLOROU para trabalhar com o Verve em seu álbum de estreia.

A Storm In Heaven reescreveu o shoegaze, o psichedelic rock e space rock e alucinações melódicas em geral. A audição leva você a uma experiência quase lisérgica, hipnótica. Das 10 faixas do álbum, 7 foram gravadas ao vivo no improviso. Podemos dizer que foi a química perfeita entre os garotos de Wigan, na Grande Manchester. Os caras fizeram músicas para eles e somente eles, todos envolvidos com um som alucinógeno e outras coisas mais. É um parede sonora tão pessoal que as vezes intimida o ouvinte.

Quando ouço A Storm In Heaven vem incondicionalmente um sentimento de regozijo e agradecimento por ter a oportunidade de ouvir os riffs de baixo em Slide Away de Simon Jones e a incrível e insuperável guitarra de Nick McCabe intensa, sensível, atmosférica e espaçada que no futuro próximo seria a inspiração de Noel Gallagher e tantos outros. O A Nothern Soul e o maravilhoso Urban Hymns foram em uma direção totalmente diferente, isso é compreensivo e apropriado, mas também é perturbador saber que não ouviremos outro álbum com tamanho magia e grandeza.

Dedique 47 minutos do seu tempo para apreciar e se comover com essa tempestade no céu.

Leo Siqueira

Leo Siqueira é colecionador de discos e amante incondicional do rock inglês. Escreve também no Instagram.

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