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Azymuth – Águia Não Come Mosca

O Azymuth foi um dos pioneiros da Música Instrumental Brasileira, sendo responsável pela fusão do Samba com o Jazz e por uma séria de inovações aplicadas ao chamado Jazz Brasileiro, como por exemplo novas técnicas de execução, novas propostas de relação entre os instrumentos e o uso de novidades tecnológicas. E estas novidades resultaram numa incrível interpretação do Samba nunca antes vista, muito mais groovy.

Formado no início dos anos 70 por José Roberto Bertrami nos teclados, Alex Malheiros no baixo e o mestre Ivan Conti Mamão na bateria, o grupo ganhou notoriedade não só no Brasil mas no mundo inteiro, chegando a gravar com um sem número de artistas importantes. Ao lado de gigantes como Chick Corea, Herbie Hancock, Weather Report e Cesar Camargo Mariano, eles definiram um estilo que mudaria a forma como ouviríamos o jazz como um todo.

E, dentro da discografia extensa da banda, há um disco que foi uma (re)descoberta em tempos de pandemia. Estou falando de “Águia Não Come Mosca“, lançado em 1977 e o segundo lançado pela banda. O disco foi concebido em plena era do “milagre brasileiro”, mas também sob o domínio de uma ditadura militar encabeçada por Ernesto Geisel. Viver aqui era um misto de medo e cauteloso otimismo (ou não).

Águia Não Come Mosca” é um disco para qualquer entusiasta do jazz-fusion. É aqui que eles começam a abandonar os “padrões” do jazz em busca de um som mais influenciado pelo funk americando, com mais peso e groove. Canções como “Águia Não Come Mosca“, “A Caça“, “Despertar” e “A Presa” são as que mais representam este novo estilo. O groove e a musicalidade dessas músicas estão em sua própria categoria, mostrando a banda no que há de melhor.

Se você é colecionador, este é um álbum que deve estar na prateleira de cima, altíssimo nível e, acima de tudo, pra quem quer ter uma experiência de como o Brasil e o Azymuth estiveram na vanguarda do Jazz-Fusion mundial.

Foto: Divulgação Spotify

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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