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Bleach!

1992 foi um ano de muitas descobertas pra mim. Se em 1991 eu havia descoberto o Appetite for Destruction do Guns N’ Roses, o Black Album do Metallica e o Nevermind do Nirvana, em 1992 foi a vez de descobrir o “Bleach”. O Nirvana foi uma das bandas que me levou não só ao rock, mas à música em geral.

E eu tenho respeito máximo pelo Nevermind, mas pra mim este é o melhor álbum da banda! “Bleach” não tem o mesmo reconhecimento de Nevermind e In Utero, mas é o álbum mais visceral, sujo e punk da banda!

“Bleach” é onde Grunge, Sludge e Punk colidiram para vir com este álbum bruto lindamente visceral. Apesar do Nirvana continuar aperfeiçoando seu ofício e realizar plenamente suas ambições ao longo de seu caminho, quando isso foi lançado em 89 tornou o Nirvana lendas underground.

Todas as faixas de “Bleach” tocam uma fúria sombria e abrasiva: com repetição contagiante e riffs que soam mais apropriados para um tumulto do que para um show!

Claro, talvez “In Utero” seja a experiência mais completa do Nirvana. Talvez “Nevermind” seja o mais refinado, icônico e acessível. E esses são dois álbuns incríveis. Mas, no que me diz respeito e aqui é uma opinião puramente pessoal, nenhum deles tem a mesma angústia adolescente, a mesma quantidade daquela pura paixão maníaca derramada nele e o mesmo brutalismo implacável que aparece em “Bleach”. As melodias ainda estão lá, mas suas peculiaridades individuais não são tão aparentes quanto em “Nevermind”, então, como ouvinte, você precisa trabalhar um pouco mais para encontrá-las, especialmente da metade em diante do disco.

O maior pecado que este álbum comete é que ele usa suas influências um pouco demais e não tem a expansividade que mais tarde fez do Nirvana a banda grunge do início dos anos 90. “Bleach” mostra muitos Melvins, Black Flag e uma adoração a Flipper, banda punk californiana formada em 1979, e isso é evidente em várias faixas aqui. Mas o lado positivo é que a escrita de Cobain pode ser mais simples, mas inteligentemente ambígua – ela pode ser sobre nada e ao mesmo tempo traçam múltiplos paralelos – e ainda assim é muito legal quando você descobre que um programa de terror como “Paper Cuts” é baseado em uma história real de abuso infantil extremo, mas também relacionado aos sentimentos de Cobain em seu relacionamento com seus pais.

Comparado a outros discos do mesmo ano, o custo para se produzir “Bleach” foi de um total de U$ 606,17. Eu tenho a impressão que ele foi gravado às pressas e se você parar para pensar e ouvir atentamente, o disco parece ter sido concebido de uma vez só, gravado ao vivo, como se eles estivessem em um show em um porão esfumaçado e úmido, tocando desenfreadamente uma atrás de outra. E este é o charme deste disco. Pesado, cru, obscuro, do jeito que tinha que ser quando eles gravaram.

Ele é tão viciante quanto qualquer álbum do Nirvana. E é Cobain em sua forma mais punk, despreocupado e raivoso. Basta aumentar o volume no máximo e deixar “Bleach” ser o combustível para incendiar seu quarto.

You could do anything!

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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