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BRock Safra 83: Cinema Mudo, 40 anos da despretensiosa estreia dos Paralamas do Sucesso

Cinema Mudo poder não ser um dos grandes clássicos do rock nacional, mas é a porta de entrada de uma das maiores bandas nacionais da história da música

Amor sem palavras, Cinema Mudo, não falo nada, você sabe tudo!“. Herbert Vianna conta que fez essa música para representar o diálogo sem palavras das pessoas que se gostam. Fofo, não é? Maaas, aqui no Vira o Disco, precisamos falar, ou melhor, escrever….e bastante. E, por isso, vim aqui para expressar em palavras o meu carinho por esse disco que é muito especial para mim.

Cinema Mudo é considerado, por muitos, um disco bem honesto. Uma boa estreia, mas não um clássico irretocável. Com alguns problemas na gravação, o álbum teve sua qualidade sonora afetada. Mas até isso é bacana, faz parte da história da época, porque era o começo de tudo. Eram três meninos colocando o sangue, a alma, doando-se ao máximo para colocar tudo o que sentiam naquelas 10 músicas.

O que eu acho dele? Bem, eu simplesmente adoro. Acho um disco divertido, com boas escolhas e que dá uma pitada de tudo o que os Paralamas viriam a se tornar. Cinema Mudo para mim é um disco com identidade, com cara de Paralamas do Sucesso. Uma delicinha! Como disse acima, o início de algo que viria a amadurecer mais, abrindo caminhos para um dos grandes álbuns do rock nacional, O Passo do Lui.

E se quem acredita que esse disco não está na lista dos melhores, deve concordar comigo que a música de abertura é um dos grandes momentos da banda. “Vital e Sua Moto” é toda interessante, a letra jovial, que não envelhece com o tempo. Que adolescente nunca quis ter sua liberdade em cima de duas (ou quatro) rodas? O solo super característico do começo, reconhecível com apenas a primeira nota tocada. Pronto, já me ganhou de primeira.

Foto: Acervo Pessoal (Luis Fernando Brod)

Foi o Mordomo” não é um dos destaques do disco, mas é bem bacaninha. Segue a temática do disco, e é uma boa música de ligação com a faixa título, e minha predileta, “Cinema Mudo” é uma canção despretensiosa e muito divertida. É daquelas que cativa, durante os shows anima muito a galera e, mesmo simples, continua tocando nossos corações, 40 anos depois.

Patrulha Noturna” carimba o lado A (depois vem um instrumental que foi lado B de um dos compactos simples). Mais uma canção bem conhecida do disco, que saiu do setlist do show deles, mas continua sendo um retrato da juventude transviada que tanto gerou conteúdo para a cultura pop mundial.

O Lado B segue bacana, menos intenso que o ótimo lado A. “Vovó Ondina é Gente Fina” é fofinha, principalmente quando conhecemos a história e nos apegamos a vovó que ajuda os netinhos a fazerem tudo que eles quiserem. Saudações, Dona Ondina! “O Que Eu Não Disse” é uma balada bem feita, parceria de Herbert e João com Renato Russo, e com a participação mais que especial do Lulu Santos na guitarra slide. Depois seguimos com uma versão bacana de “Química“, da Legião. “Encruzilhada” e “Volúpia” não comprometem, mantém o estilo fun do disco, rítmico, mas são faixas mais esquecíveis na longa discografia do trio.

Recentemente, saiu na mídia que os Paralamas vão remasterizar o álbum, já que ele teve muitos problemas técnicos. A edição será lançada em vinil, mas ainda não tem data de lançamento prevista.

Foto: Site Oficial Paralamas do Sucesso/Biografia

Enquanto isso, sigo ouvindo Cinema Mudo com muita nostalgia, até apreciando esses defeitinhos, imaginando como foi ter vivido essa explosão do rock brazuca no início dos anos 1980. E para quem não deu chance a esse disco, está aí uma oportunidade de ouvi-lo com mais carinho. Muitas vezes, a música não precisa ser sempre grandiosa, eloquente, complexa. A simplicidade, a vontade de fazer algo legal com vinte e poucos anos, a identidade sendo construída, tudo isso sem recursos, já é digno de aplausos.

Vida longa aos Paralamas do Sucesso e ao nosso bom e velho rock and roll!

Foto Capa : Site Oficial Paralamas do Sucesso/Biografia


Mari Cazé

Mari Cazé, integrante do canal Nau à Deriva, jornalista apaixonada por notícias e esportes, mas não praticante. Amante do rock nacional, fissurada por The Who, Bruce Springsteen, Maná e tantos outros, mas beatlemaníaca acima de tudo.

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