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Cachorro Grande e o reencontro com o público gaúcho

Na noite de sexta, 14 de julho, os gaúchos tiveram o prazer de reviver um momento importante para o rock no estado.

Particularmente pude rever uma das bandas mais legais em ação depois de anos, a banda me faz lembrar do tempo que trabalhei como estagiário da saudosa rádio Ipanema FM e fui escalado para fazer a cobertura do vestibular de inverno, nos idos anos de 2001, na PUC/RS.

Nessa época, a “Cachorro” como é conhecida carinhosamente entre os fãs gaúchos estava dando seus primeiros passos para se tornar “Grande” no Brasil inteiro.

E nessa cobertura de vestibular enquanto eu organizava toda parte de produção, função que mesmo estagiário já praticava, dei de cara com dois malucos, um de violão na mão, conhecido da cena gaúcha pois havia tocado como baterista de outro rockeiro local de expressão nacional, Júpiter Maçã. O segundo, vindo de Passo Fundo e trazia na guaiaca muito sangue nos olhos, disposto a fazer o que fosse preciso para viver de música.

Avançando até o dia 14 de julho, com a banda quase original, a escolha do competente Eduardo Barreto que toca na carreira solo de Marcelo Gross foi acertada.

Com um setlist onde os clássicos prevaleceram (não poderia ser diferente), vimos uma celebração ao rock proporcionada por uma banda que apesar de não estar mais junta há algum tempo, está muito bem entrosada.

Mesmo com volume baixo no som no início do show, deu pra ver que essa reunião anual veio pra ficar, afinal, eles se divertiram bastante juntos no palco.

Quanto ao setlist, a banda entrou com os dois pés no palco, após uma introdução orquestrada, mandaram logo de cara com “Lunático”, faixa que abre o disco homônimo da banda, energética, banda e público se conectaram na primeira música.

Na sequência, mantiveram a energia alta e foram de “Hey, Amigo!”, incrível como Beto Bruno consegue berrar com a mesma potência de quase 20 anos atrás.

Dando uma trégua, a groovada de “Conflitos Existenciais” colocou todos para  balançar no Araújo Vianna, local do show. 

Seguiram de “Desentoa” com efeitos de moog nos teclados de Pedro Pelotas, aliás que faixa incrível!

Nessa hora, o público estava nas mãos da banda, vibrou ainda mais com o hino “Que Locura”, com condução inicial da bateria de Gabriel Boizinho, levaram todos a curtir o momento que até aqui era a faixa mais viajandona do show.

Retornando aos ponteiros dos  V.U.s no máximo, “As Próximas Horas Serão Muito Boas” agitou o público que novamente veio na vibe da banda.

E baixou conforme o ritmo da música “Ele Era Um Bom Brasileiro” sequenciada por “A Alegria Voltou” e “Velha Amiga”. Essa última teve uma homenagem aos pais da dupla Gross e Beto Bruno que faleceram a pouco tempo.

A partir daqui começa a viagem psicodélica sessentista do show com a música “Roda Gigante”, o vocalista Beto Bruno agitando no palco e jogando pra cima o chocalho meia-lua.

A faixa a seguir é daquelas que se a banda não tocar em um show com certeza será lixada pelo público que nesse momento veio mais uma vez ao delírio com o clássico “De Baixo do Meu Chapéu”.

Chega a vez de “Lili”, muito executada nas rádios do sul do país e com um quê psicodélico que manteve esse clima na segunda parte do show da banda.

Falando em psicodelia, aqui começa a fase mais Primal Scream da banda misturando rock e elementos eletrônicos em “Eletromod”.

Chegou a hora do Marcelo Gross cantar e tocar a música “Dia Perfeito”, uma linda balada do primeiro disco da banda, acompanhado pelos refrãos com Beto Bruno.

“Vai Ter Que Dar” foi um show de psicodelia na hora do solo lembrando Hendrix conduzidos pela guitarras de Gross, destaque também para a bateria a lá Ginger Baker do Boizinho, o baixo pegado de Eduardo Correia e os teclados de Pelotas, aqui o bicho comeu com show de luzes que lembravam o Pink Floyd, lisergia pura!

Daqui pra diante a banda já havia deixado o público com sorriso no rosto e começaram a chegar a parte final do show com a música “As Coisas Que Eu Quero Lhe Falar”, declarada como melhor música do Cachorro Grande segundo Beto Bruno.

Nesse final de show ainda podemos ver mais dois clássicos, a balada “Sinceramente” e fechando o show com “Sex Experience” tendo a participação de Duda Calvin dando um quê de punk rock, afinal o músico é vocalista da Tequila Baby.

No bis vieram com tudo e mandaram, “Você não Sabe o Que Perdeu” com direito a improvisação e medley de “A Day in the Life”.

Enfim, uma noite pra ficar na história e que venha 2024.

Marcelo Scherer

Jornalista, fundador do Disconecta, do Canal Disconecta no Youtube e colaborador do coletivo Vira o Disco.

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