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Casa das Máquinas – Lar de Maravilhas

Em seu segundo álbum, a banda Casa das Máquinas abandonou quase completamente o hard rock e explorou o lado experimental e psicodélico da música que florescia nos anos 70 – especialmente em meados dos anos 70 no Brasil – provavelmente influenciados pelos Os Mutantes e O Terço.

O álbum de estreia e o terceiro trabalho, intitulados Casa das Máquinas e Casa de Rock, respectivamente, são marcados por um estilo predominantemente hard rock. No entanto, foi com o lançamento do seu segundo álbum, Lar de Maravilhas, em 1975, que a banda alcançou o ápice de sua criatividade, resultando em um trabalho vibrante e envolvente.


Para a gravação do álbum, a formação contou com Aroldo Santarosa nos vocais, guitarra e violão, e Piska no vocal, guitarra, violão e órgão. Mário Testoni Jr se destacou nos teclados. Cargê adicionou suas habilidades no vocal e baixo. A seção rítmica foi reforçada por Netinho, manuseando bateria e percussão, e Mário Franco Thomaz, contribuindo com bateria, percussão e vocais.

Este álbum é hoje celebrado como um ponto de referência no rock progressivo brasileiro, embora muitos o considerem mais um exemplar de rock aventureiro do que um típico prog-rock. Seu destaque reside na combinação de elementos de hard rock com teclados que evocam uma atmosfera envolvente, arranjos sinfônicos, variações rítmicas complexas e uma diversidade musical rica. Essa sonoridade é enriquecida por melodias marcantes, complementadas por vocais carregados de expressividade e uma execução instrumental de alta habilidade.

Inserido no contexto do rock brasileiro dos anos 70, marcado pela busca de identidade nacional sob um regime militar repressivo, Lar de Maravilhas emerge como uma expressão de liberdade e resistência cultural.

O álbum representa uma fusão magistral de hard rock, elementos sonoros espaciais e uma criatividade progressiva distintiva, tudo isso elevado por uma combinação de vocais ricos e harmonias elaboradas. Podemos destacar as notáveis habilidades de composição da banda, significando um avanço expressivo em seu estilo musical, mesmo que as letras não sejam especialmente marcantes, os aspectos vocais, a maestria instrumental e a sinergia entre as guitarras e teclados são verdadeiramente notáveis.

Este trabalho pode ser justamente comparado às tendências dominantes do rock progressivo global da época, alcançando um nível de inovação e experimentação que se equipara ao de bandas internacionais renomadas da mesma era, uma conquista que pode ser atribuída à excelente técnica e criatividade inerentes ao álbum.


Apesar de não alcançar a popularidade de bandas como Mutantes ou O Terço, Casa das Máquinas produziu música de qualidade, particularmente evidente em Lar de Maravilhas, após mudanças na formação da banda e direção musical.

Faixa a faixa

O álbum inicia com Vou Morar No Ar, que mescla versos acústicos com harmonias vocais elevadas e guitarras elétricas sobre sintetizadores.

A faixa-título, Lar de Maravilhas, mistura violão acústico com harmonias vocais suaves, alternando com guitarras elétricas e vocais distorcidos.

Liberdade Espacial é um rock contagiante, enquanto Astralização e Cilindro Cônico destacam-se por suas composições eletrônicas e instrumentais vigorosas.

Vale Verde, uma faixa emblemática do rock progressivo, ecoando estilos de bandas alemãs como Novalis e Epidaurus, notável pelo uso proeminente de Moog e Hammond.

Raios de Lua oferece uma balada acústica, e Epidemia de Rock é uma faixa de rock mais direta. O álbum encerra com O Sol/Reflexo Ativo, combinando narração psicodélica e um final sinfônico.




Julio César Mauro

Julio Mauro é um nerd, pai de duas meninas, chato e com TDA. Músico frustrado, 26 anos trabalhando na área de TI, conhecido pelas suas tiradas ácidas e seu mau-humor que nem todos gostam. Já foi co-host do programa Gazeta Games na Rádio Gazeta de Sao Paulo e tem como uma das suas maiores paixões a boa música.

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