Discos

CHICAGO VI – 50 anos

A banda Chicago surgiu em 1967, com uma proposta fonográfica ousada. Seus três primeiros discos foram lançados no formato de álbum duplo, todos com mais de sessenta minutos de duração. A seguir, a banda lançou um disco quádruplo ao vivo, documentando uma semana de shows lotados no Carnegie Hall; seguido (finalmente) de um álbum simples, posto nas lojas em 1972.   

Até então seus discos e singles vinham atingindo ótimas posições especialmente na parada americana, mas foi em 72, com o LP “Chicago V”, que a banda teve seu primeiro disco no topo das paradas nos EUA, puxado pelo hit single “Saturday in the Park”, música composta pelo tecladista/vocalista  Robert Lamm e pelo baixista/vocalista Peter Cetera, chegando este ao número 3 na parada Billboard, posto mais alto atingido pelo grupo até então.

Se chegar ao topo já é uma epopeia, ficar lá é uma raridade. Mas em 1973, o grupo conseguiu a façanha, ao lançar mais um disco simples, o ótimo “Chicago VI”, embalado em uma luxuosa capa, contendo pela primeira vez uma foto da banda.

O álbum marca também as primeiras participações do grande percussionista brasileiro Laudir de Oliveira (1940-2017), o qual seria efetivado como membro da banda no ano seguinte, quando a banda grava seu último LP duplo, “Chicago VII”, assunto para outro dia.

Neste LP tudo que os cultores da fase áurea da banda admiram está lá, talvez com exceção das longas suítes existentes em boa parte dos discos anteriores. Aqui nada passa dos cinco minutos.

Após a faixa de abertura, em que Lamm, em um número solo, alfineta a crítica musical, a banda entra com tudo em um dos números mais lembrados de sua carreira, “Just You And Me”, com o baixão de Cetera e seu inconfundível falsete, além dos metais arrebatadores do trio formado por Lee Loughnane, James Pankow e Walter Parazaider, os quais conduzem a faixa por caminhos jazzísticos curtinhos, até o retorno ao mote principal.

Os fãs gostam de músicas meio funkeadas e da guitarra hendrixiana de Terry Kath? Sim! Então temos “Darlin’ Dear” e “What This World Comin’ To”, ambas em clima de jam session.  

A percussão dá um acento latino a algumas canções. “Jenny” e “Hollywood” são ótimos exemplos. As baladas AOR também estão presentes. “Something In This City Changes People” tem uma belíssima linha de piano e arranjos vocais adoráveis e “In Terms of Two” vem com uma pegada country.

O LP original se encerra com o soul de “Rediscovery”, em que Terry Kath faz o pedal wah wah chorar e com a fantástica “Feelin’ Stronger Every Day”, mais uma para a banda tocar o resto da vida. Parceria de Cetera e Pankow que faz com que a audição deste álbum termine de forma absolutamente animadora. Escolha qual instrumento você irá emular e vá em frente. Eu sugiro, para um exercício de air drumming, a bateria de Danny Seraphine, sobretudo quando o tempo da música dobra no final.

Os três discos seguintes do Chicago igualmente atingiriam o topo da parada nos EUA. Alguns singles também obtiveram essa honraria. 50 anos depois, ainda com três remanescentes desta formação, o grupo segue lançando discos, fazendo shows e sendo considerado uma das joias da moderna música norte-americana, juntamente com Beach Boys, Eagles e outros (poucos) semelhantes.

Detalhe da capa: arte por John Berg e Nick Fasciano

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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