Discos

Closer, 43 anos

Poucos álbuns conseguem ser tão melancólicos e intensos quanto Closer, segundo e último trabalho de estúdio do Joy Division.

Lançado neste dia há 43 anos, o disco estava pronto quando o vocalista da banda, Ian Curtis, se suicidou. Testamento involuntário da conturbada genialidade de Curtis, também tem como destaque a combinação simples e eficaz de baixo, sintetizadores, bateria e guitarra, num verdadeiro marco do que é um disco de pós-punk.

Cada faixa em Closer é uma elegia, representando a opressiva depressão que consumiu Curtis antes de seu trágico suicídio. A melancolia exalada é profunda e complexa, penetrando nas rachaduras da mente dilacerada do vocalista. É uma ironia trágica que sua música, embora mascarada por tantas nuances, tantos tons cinzentos, seja um grito desesperado de socorro.

O álbum navega por vários estilos – sem nunca ficar à deriva – desde climas quase animados em “Isolation”, momentos roqueiros de “Colony” e “Twenty Four Hours” e faixas extremamente depressivas como “Decades” e “The Eternal”.

No entanto, independentemente da sonoridade, a mensagem lírica permanece implacável do princípio ao fim. Closer” exige entrega emocional por parte do ouvinte. É uma experiência dolorosa, mas gratificante. Através dessas canções, o Joy Division alcança um nível de honestidade artística e transmite a dor e a solidão de Ian Curtis de maneira brilhante.

É o testemunho final de um gênio atormentado, um legado que permanece como um lembrete poderoso da crueldade da depressão.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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