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COZY POWELL – Octopuss

TRIVIA: O que têm em comum Jeff Beck, Rainbow, Whitesnake, Black Sabbath, Yngwie Malmsteen, Fleetwood Mac, Robert Plant, Brian May e Roger Daltrey? Fácil… todos eles, em algum momento de suas carreiras, contaram com o super-baterista Cozy Powell ocupando a popa do palco.

Acaso não tivesse falecido em um estúpido acidente de automóvel, enquanto falava com a namorada ao telefone, nos primeiros dias de abril de 1998, Powell teria completado 76 anos em 29 de dezembro de 2023.

Sua gravação solo mais conhecida e bem ranqueada é “Dance With The Devil”, baseada em “Third Stone From The Sun”, de Jimi Hendrix. Em janeiro de 1974 – há 50 anos – chegou ao terceiro lugar na Inglaterra, atingindo também boas posições na Austrália e na Billboard Hot 100.

Seus discos mais conhecidos e provavelmente os mais fáceis de serem encontrados são os três álbuns que gravou pela Polydor, entre 1979 e 1983: “Over The Top”, com produção de Martin Birch; “Tilt” e “Octopuss”, sempre com um time estelar de convidados.

Aliás, em “Octopuss”, lançado em 1983, dá para dizer que Powell tem como banda de apoio, praticamente o Whitesnake, pois o baterista está secundado por caras como Colin Hodgkinson, Mel Galley e Jon Lord. Além do mais, o disco chega a ter uma faixa coescrita por ninguém menos que David Coverdale.

O disco começa com o groove tranquilo de “Up On The Downs”, escrita pela principal dupla de compositores do LP, Cozy e Mel Galley. Uma bela faixa de abertura.

Tons bélicos e cinematográficos são a tônica de “633 Squadron”. Mas também não tem como ser diferente. A música é tema de um filme de guerra lançado em 1964 e foi composta pelo trilheiro inglês Ron Goodwin. Cozy assume a postura de um percussionista de orquestra o que só contribui para atestar sua imensa versatilidade.

A faixa título é um excelente trabalho de cozinha formada por Cozy e Hodgkinson. As linhas e acordes feitos pelo baixo e a condução da bateria são de derrubar o queixo. Nos trinta segundos finais, o solo de Powell mostra porque ele costuma figurar nas listas de grandes do gênero.

Grudadinha em “Octopuss”, Powell apresenta sua versão do fantástico tema do filme “The Big Country”, lançado no Brasil como “Da Terra Nascem os Homens”, western dirigido por William Wyler, com Gregory Peck, Jean Simmons, Charlton Heston e outros.

O Lado B vem com mais duas de Powell e Galley. A excelente “Formula One”,  que poderia estar em qualquer abertura de programa esportivo da TV e a funky “Princetown”, onde Cozy mais uma vez esmerilha sua bateria com gosto, mas sempre deixando muito clara uma opção rítmica que privilegia a técnica, ao invés de velocidade extrema.

“Dartmoore” foi escrita por Gary Moore e seu DNA está lá inteirinho, nucleotídeo por nucleotídeo. O guitarrista faz o instrumento quase falar e é a única faixa em que Powell deixa outro artista assumir o controle. Ele praticamente só acompanha mesmo, o que não é demérito algum, já que o tema é de uma beleza incontestável e recheá-lo de viradas poderia estragar o clima criado.

O epílogo do álbum é formado pela mais pesadinha “The Rattler”, escrita por Powell e David Coverdale. A (boa) faixa apresenta seu tema principal e se desenvolve rapidamente, terminando antes de completar três minutos. Acaso estivéssemos por lá, sugeriríamos que Coverdale escrevesse uma letrinha e não seria nada mal o disco não ser 100% instrumental.

Mas… não estávamos lá… então a história está escrita desta forma. “Octopuss” é um disco geralmente malhado por crítica e público, mas eu recomendo uma escuta. Trata-se de um trabalho correto e absolutamente agradável de um dos maiores bateristas de todos os tempos.

Uma petição por uma “Blue Plaque” celebrando sua vida, a ser colocada na sua cidade natal atraiu 3500 assinaturas e, em janeiro de 2016, a pequena Cirencester, no Condado de Gloucestershire, recebeu a visita de Suzi Quatro, Tony Iommi, Neil Murray, Bernie Marsden e Brian May. O guitarrista do Queen fez um belo discurso e foi responsável pelo descerrar da Placa Azul.

Segundo reportagem da BBC, John Tiffney, da “Cirencester Civic Society”, disse que até aquela data a Sociedade Cívica só havia colocado placas para homenagear edifícios, sendo então a primeira vez que uma pessoa seria merecedora de tamanha distinção. É mais do que merecido.

Crédito da imagem: Capa do disco “Octopuss”. Concepção por Cozy Powell, foto tirada por Bob Hayden.

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

One thought on “COZY POWELL – Octopuss

  • Julio Cesar Mauro

    Estou em uma saga para encontrar esse disco há tanto tempo que já virou quase uma missão épica. E aí, quando finalmente dou de cara com ele, o vendedor decide que quer meu fígado como parte do pagamento!

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