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Da fúria ao Punk: “Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols”, o disco que deu a luz ao movimento Punk na Inglaterra dos anos 70

Década de 70, mais precisamente 1977. Uma espécie de inquietude, explodiria com tamanha empolgação, em um dos maiores movimentos já vistos na história da música: Era o início do Punk Rock.

Muito se fala sobre o princípio do Punk. Talvez tenha vindo dos Estados Unidos com os “Ramones” e os grandes centros undergrounds como o “CBGB”, ou até mesmo tido suas raízes no final dos anos 60, com o “The Velvet Underground” e o “The Stooges”. Mas o que realmente importa, é que foi tudo uma questão de rebeldia e atitude.

O Sex Pistols, a banda do empresário Malcolm Mclaren, foi um exemplo deste fenômeno. Tudo começou com uma loja de roupas, situada na famosa Kings Road, a “Sex”. Antes de virar uma banda punk, os membros atuavam como comerciantes e fregueses. Glen Matlock, Paul Cook, Steve Jones e mais tarde Johnny Rotten, virariam o refúgio de jovens desempregados e abatidos do cenário britânico. Aos poucos, o Sex Pistols ganhava fama, e junto, toda a corda que precisavam para exalar a sua identidade punk, prezando pela a individualidade, carregados de ódio, rancor e postura Rock N’ Roll. Melhor ainda se falassem mal da rainha e de toda a monarquia britânica.

Com uma nova abordagem de música, um rock agressivo, poucos acordes, sujo e pesado, o Punk do Sex Pistols foi como uma onda, levando o novo grito da juventude, uma expressão rebelde que mudaria tudo na história do rock. Nascia assim, o clássico e revolucionário, “Never Mind The Bollocks, Here ‘s The Sex Pistols”, o primeiro e único disco da breve e intensa carreira da banda.

O grupo assinou com a gravadora Virgin Records, após terem sido dispensados pela EMI, lançando vários compactos que dominaram as paradas britânicas. Nesse momento, o baixista Glen Matlock foi substituído por Sid Vicious, que mal sabia tocar, mas tinha o visual e a atitude Punk necessários para a banda.

Em 28 de outubro de 1977, o grande disco foi lançado, apresentou finalmente o Sex Pistols para o mundo. Não eram nota dez, muitas vezes odiados e criticados, mas conseguiram fazer algo que poucos fizeram, um dos melhores discos de Rock de todos os tempos. Sólido, simples e direto, “Never Mind The Bollocks, Here ’s The Sex Pistols”, mudou o rumo da música, uma verdadeira obra de arte. A obra do Punk.

Marcado por 12 faixas surpreendentes, o disco abre com “Holidays In The Sun”, uma entrada clássica de guitarra, passagem rápida de bateria e um baixo marcante, os primeiros versos, de fato impressionam. O álbum segue com “Bodies”, “No Feelings”, “Liar”, e apresenta uma de suas faixas de maior sucesso, “God Save The Queen”, marcada por render muitas polêmicas. A faixa foi produzida especialmente como uma forma de divertimento e ironia, já que a rainha Elizabeth II completaria 25 anos de reinado naquele ano. “Anarchy In The UK”, sem dúvidas, é um dos hinos do Sex Pistols e da geração Punk. Vale dar destaque também a “Pretty Vacant”, faixa empolgante, de letras marcantes e pequenos solos de guitarra.

Muito lembrado por suas letras ousadas, políticas e muitas vezes sarcásticas, Never Mind The Bollocks atravessou gerações, deixando um forte legado no Punk. Um fenômeno para o ano de 1977, liderou as paradas do Reino Unido, e mexeu com todos aqueles jovens revoltados que sem um sonho britânico não viam futuro algum.

A banda mais perigosa e destrutiva de todos os tempos foi a responsável por criar essa revolução musical, partida de ideias e de um disco claramente marcante. Ouvir esta obra dos Sex Pistols, é como voltar alguns anos atrás e sentir toda aquela energia da fúria dominando os jovens punks, que se transformou em um grande grito de expressão.

Camily Stüpp Moreira

Camily Stüpp Moreira é de Santa Catarina e atua como estudante do Ensino Médio, jovem, porém com sonhos inabaláveis. Apaixonada pelo mundo do Rock N' Roll, pretende seguir carreira escrevendo sobre música. Adora debater sobre diversos assuntos, além de desvendar culturas e conceitos novos.

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