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Envy of None: o surpreendente projeto de Alex Lifeson

Envy Of None é um quarteto formado pelo lendário Alex Lifeson do Rush, seu velho amigo Andy Curran baixista do Coney Hatch, o produtor Alfio Annibalini (Voidod, Anvil) e a talentosa cantora Maiah Wynne. Com um time tão diferente, imaginava que seria algo muito especial, mas a princípio não foi essa minha impressão.

Conforme foram lançando músicas isoladas no Youtube, fui correndo ouvir, por causa do Alex Lifeson principalmente, e tudo era o oposto do que eu esperava. Não era ruim, mas acho que a expectativa que eu tinha deu uma esfriada.

Onde estavam as guitarras?

Mas com o lançamento oficial, e ouvindo o álbum na íntegra, mesmo as músicas que eu tinha estranhado soaram muito bem no conjunto, ouvindo o álbum como um todo.

Destaco o trabalho realizado pela vocalista Maiah Wynne, que acentua a atmosfera criada por seus companheiros de banda espetacularmente, roubando a cena.

A faixa de abertura, Never Said I Love You, é uma excelente canção pop, me remetendo ao Garbage. É também uma espécie de anomalia no álbum, já que não há outra faixa igual aqui.

Depois eles se afastam desse pop puro e se concentram em manter um clima mais atmosférico na maioria das músicas.

Shadow tem ritmos sombrios que remetem levemente ao Depeche Mode, com texturas de guitarra excelentes e os vocais entrelaçando muito bem com o baixo de Hatch.

Look Inside continua flertando com o industrial, melodias envolventes, criando uma ótima sensação para os ouvidos. Liar nos leva novamente ao Gargabe, mas com fortes traços de Nine Inch Nails e Gary Numan, tudo suavizado pela voz de Wynne. Melódica e vigorosa, uma das minhas preferidas.

Spy House segue a mesma linha, caindo em um refrão excelente, com um teclado que se destaca, fazendo um belo contraponto ao vocal. Dog’s Life segue a linha industrial, mas ao invés dos refrãos mais melódicos, é bem mais intensa.

Kabul Blues, Old Strings e Dumb são bem etéreas, uma cama de fundo excelente para os vocais de Wynne (posso estar viajando muito, mas ela me remete um pouco ao All About Eve).

Enemy retorna ao clima mais sombrio, pesada e com camadas de guitarras muito bem alinhadas, com uma boa dose de peso em alguns momentos e Western Sunset é um ponto dissonante no álbum. Instrumental, Alex brilhando em uma homensagem linda a Neil Peart, repleta de emoção.
A ideia para a música nasceu em uma das ultimas visitas dele ao amigo, olhando o por do sol na varanda da casa.

No final acabou sendo uma bela surpresa, principalmente para quem se atraiu ao projeto pelo envolvimento de Alex Lifeson e não teve absolutamente nada do que esperava.

É uma experiência musical rica e cativante, com uma produção primorosa. Ouvir em um bom fone de ouvido é surreal.

Pedro Miguel Jr.

Colecionador de disco e apaixonado por música e os seus mais variados estilos.

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