Discos

Genesis “BBC Broadcasts” (Parte 1)

Há algo de mágico no Genesis e não podemos falar isso de muitas outras bandas. A quantidade de músicas de altíssima qualidade lançadas ano após ano, mesmo após importantes trocas de formação e de sonoridade; a excelência dos músicos que passaram pelo grupo; a influência que exerceram sobre bandas e artistas em vários continentes; a capacidade de se reinventarem; o reconhecimento e o respeito de público, da crítica e de seus pares… todos esses aspectos e outros mais são de uma dignidade marcante.

            Formado em 1967, o grupo se manteve em atividade constante até 1998, tendo gravado 15 álbuns de estúdio. Uma turnê em 2006/2007 gerou o belo pacote (CD/DVD) “When In Rome”. E entre 2021 e 2022 a banda fez o que parece ser sua última gira, sobretudo pela frágil condição física do vocalista Phil Collins, culminando com um show em 26 de março, em Londres, onde este informou ao público que a partir do dia seguinte eles estariam desempregados.  

            Um dos efeitos do provável fim das atividades do Genesis foi uma mexida nos arquivos e agora, em 2023, mais precisamente, em março, foi lançado um box de 5 cd’s e 53 faixas, com gravações para a BBC, entre 1970 e 1998, sob curadoria do tecladista Tony Banks, com gravações incluindo todos os vocalistas que passaram pela banda, ou seja, Peter Gabriel, Phil Collins e até mesmo o subestimado Ray Wilson.

            O primeiro CD – que cobre de 1970 a 1975 – abre com três faixas gravadas para o programa Nightride, cuja transmissão ia de 00h05 às 2:00 da manhã. “Sheperd”, “Pacidy” (a melhor delas) e “Let Us Now Make Love”, nunca chegaram a entrar em algum lançamento do grupo, nem foram registradas como singles. Mostram a banda começando a compor temas mais complexos entre o primeiro e o segundo álbum. Já chamam a atenção a distinta voz de Peter Gabriel, as cordas pastorais, flautas e teclados.

            Na sequência, a banda já com sua formação clássica – Gabriel, Banks, Rutheford, Hackett e Collins – tocando ao vivo em Paris em 1972 para o programa “BBC In Concert”, apresenta duas grandes músicas extraídas de seu terceiro álbum – “Nursery Crime”: “The Fountain Of Salmacis” e “The Musical Box”.

            Aqui temos o Genesis já crescido. A primeira faixa é uma aula de prog rock e abre espaço para todos os músicos mostrarem suas habilidades. “The Musical Box” é uma fantástica canção… uma das melhores da chamada “fase Gabriel”… teatral, épica, trágica… só ouvindo mesmo. Uma daquelas músicas “para ouvir antes de morrer”.

            Sem se preocupar com a questão cronológica, a lindíssima “Stagnation”, música de abertura do lado B do segundo disco da banda, “Trespass” vem logo a seguir, em uma sessão gravada em 1971, para dar um respiro após ouvirmos as acachapantes performances promovidas na capital francesa.

            Mais transmissões de 1972 são trazidas a lume. Todas faixas conhecidas dos fãs do período prog da banda: A reflexiva “Harlequin” e as mais agitadas “Get’em Out By Friday” e “Harold The Barrel”, as duas últimas de seu quarto LP – “Foxtrot” – e onde os vocais de apoio mostram que Phil Collins estava lá… só não viu quem não quis.

            Mais uma apresentação ao vivo de outra faixa do disco acima citado, agora em 1975 e na Wembley Arena, “Watcher of The Skies” fecha o CD 1, com suas assinaturas de tempo desafiadoras; não sem ser antecedida por mais uma curiosidade: “Twilight Alehouse”, uma canção que fazia parte do repertório da banda desde seus primeiros tempos. Gravada para o  programa “Top Gear”, foi transmitida pela rádio em novembro de 1972. Em disco, ela seria registrada somente em fevereiro de 1974, como lado B do  exitoso single “I Know What I Like”, extraído do supremo “Selling England By The Pound” – disco mais bem posicionado da banda no Reino Unido, até então.

            Em breve seguiremos resenhando este Box. Fiquem ligados.

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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