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Holy Diver, you’ve been down too long in the midnight sea

É engraçado pensar que se não tivesse sido expulso do Black Sabbath devido a uma batalha de egos que ocorreram durante as sessões de mixagem do disco Live Evil de 1982, Ronnie James Dio poderia nunca ter gravado seu maior sucesso comercial, Holy Diver.

Logo após sua saída do Sabbath a gravadora Warner Bros. pediu se o “Man of the Silver Mountain” queria trabalhar em um projeto solo e a resposta foi meio óbvia. Junto com Dio, veio Vinny Appice e a banda recrutada foi para este projeto foi Jimmy Bain, com quem ele havia tocado no Rainbow e um jovem guitarrista de 20 anos chamado Vivian Campbell.

Com a banda completa, Dio aproveitou a popularidade que havia iniciado naquele ano de 83 com bandas como o próprio Sabbath, além de Judas Priest e Ozzy Osbourne, que ganhavam mais visibilidade após o Mental Health do Quiet Riot ter sido lançado (tem um vídeo lá no canal sobre a banda, clique neste link aqui).

Se compararmos Holy Diver com os dois álbuns que ele havia gravado com o Black Sabbath e apesar de ter tido um apelo mais “popular”, ele é indiscutivelmente pesado e inegavelmente sincero, com riffs poderosos e atmosféricos (culpa de Campbell) e Dio em plena forma com seus vocais dramáticos e, por vezes, até meio operísticos.

Foto: Divulgação


Holy Diver é um disco que emocionaria qualquer fã de RPG mundo afora, com todas as referências do cantor a dragões, magia e mistério, algo que o acompanhou até seus últimos suspiros nesse mundo. O segundo single e talvez a canção de maior sucesso do disco, Rainbow in the Dark, foi a música que conectou Dio de imediato a sua base de fãs e tem uma ligação direta e indireta com sua primeira banda ELF (e porque não ao Rainbow?). Ele gostava mesmo de um arco-íris, não?

Um arco-íris é um fenômeno natural tão incrível e tão raramente visto, que nunca deixa de atrair uma resposta de todos nós”, disse ele ao Let it Rock em 2005. “Os arco-íris sempre me fizeram perceber o quão insignificantes podemos ser em o grande esquema das coisas.”

Eu já contei esta história diversas vezes, mas eu tenho uma conexão muito grande com o Holy Diver. No comecinho da década de 90, não sei precisar com exatidão o ano, havia um programa em uma rádio FM aqui onde moro, o PATRULHA NOTURNA (eu acho um nome fantástico pra um programa de rádio). Ele ia ao ar toda sexta-feira, das 23h à 1h da manhã. Ali descobri muita coisa e, certa vez, o locutor tocou o lado B inteiro de Holy Diver. Quando ouvi aquilo eu fiquei muito impactado, aquilo ali mexeu de uma maneira comigo que até hoje não sei explicar. Eu gravei aquilo em uma fita K7 que se perdeu por ai.

Daquele dia em diante eu tinha uma missão em vida: em algum momento eu iria conseguir o disco pra mim, era uma meta que eu precisava cumprir. Os anos passaram, o CD ficou obsoleto, o MP3 era a onda do momento e, em algum ponto dessa história, a minha paixão pelos discos de vinil aflorou como se não houvesse amanhã. E eu fui comprando aqueles discos que haviam sido trocados por coleções de CD, por preços muito, muito módicos. Eu paguei R$ 3,00 no Difficult to Cure e no Down to Earth do Rainbow. Pula pra 2013. Fiz amizade com um cara que eu considero um irmão em vida, o Leo Martins (@leorock70 é o perfil dele no Instagram) que hoje mora nos USA e tem uma loja IN-CRÍ-VEL lá, a Bossa Nova Records (se você ainda não conhece, navegue pelo Instagram, tem muita coisa legal).

O Leo foi o responsável por eu conseguir diversos discos em perfeito estado, edições originais de época, firt press. E, em 2018, após quase 30 anos de espera, minha cópia do Holy Diver está comigo. Vira e mexe é um disco que eu boto na vitrola e ouço ao menos 2x.

Obrigado Dio por uma obra tão incrível quanto imaginativa. E obrigado também ao Leo, por proporcionarem momentos de pura diversão.

O texto foi publicado originalmente no meu perfil em junho, em comemoração aos 40 do lançamento do disco.

Foto de capa: divulgação de acervo – Luís Fernando Brod

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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