Notícias

Ian Paice – 75 anos

Nosso assunto de hoje é o baterista do Deep Purple, Ian Paice, o qual completará 75 anos neste 29 de junho de 2023, com o traço distintivo de ser o único ser humano neste planetoide a aparecer em todos os álbuns desta gigante banda, formada em Londres em 1968 e na ativa até os dias atuais.

Não é pouco. Até hoje o Purple lançou 22 discos de estúdio. Neste interregno teve oficialmente cinco vocalistas diferentes, três baixistas, dois tecladistas e cinco guitarristas. Curiosamente, no atual quinteto Paice é o segundo mais jovem. Gillan e Glover caminham para completar 78 anos em 2023, o tecladista Don Airey já fez 75 há alguns dias e o novo guitarrista Simon McBride fechou 44 anos em Abril.  

E mesmo se considerarmos músicos de apoio em turnês, eventuais substituições por doença ou algum outro motivo, além da longa lista oficial de colaboradores de estúdio, ninguém nunca tirou o posto do canhoto Paice.  

Aliás, quando ele teve um ataque isquêmico, em 14 de junho de 2016, dias antes de dois shows na Suécia, a banda cancelou as apresentações. Foi a primeira vez que Paice não pôde se apresentar, desde a fundação da banda. Em 01 de julho, estava de volta com o grupo, que tocou em Gotemburgo. Participou do set inteiro e “apenas” não fez seu usual solo de bateria.

Famoso por nunca usar nenhum tipo de “click” para sustentar a sua batida ao vivo, Ian é tido como uma locomotiva, um metrônomo ambulante, portador de grande dinâmica e grande senso rítmico. “Sem ele não haveria a bateria do heavy metal”, segundo a revista Rolling Stone, que o colocou como 21º melhor batera do mundo, em uma lista de 100 figuras, elaborada em 2016.

O Purple, é bom lembrar, é uma banda de hard rock com um pé no blues, mas com parte do coração em grooves muito funkeados. Para executar suas músicas há que se ter grande versatilidade.

Ouça temas como “Burn”, “Maybe I’m a Leo”, “Strange Kind of Woman”, “Speed King” e “Lady Luck” e essa incrível noção rítmica estará provada. É o mesmo baterista em todas elas. Ademais, não tem uma nota fora, uma virada desnecessária, um ataque exagerado. O feeling do cara é um escândalo e muitas vezes, em uma banda de grandes instrumentistas e egos inflados, a bateria está lá, assumindo um protagonismo inegável.   

Por fim, para quem gosta de mega solos de bateria, ao estilo “Moby Dick”, os quase 10 minutos de “The Mule” que ocupam meio lado de um dos discos do duplo Made In Japan, de 1972, irão te satisfazer com certeza. Paice ainda encontrou tempo para tocar com Whitesnake, Gary Moore, Paul McCartney, George Harrison, Jim Capaldi (… é dele a bateria na versão gringa de “Anna Julia”) e outros.

Sobre seu tempo de Purple, Paice diz que é “incrível” porque já esteve em situações em que “de manhã você tinha uma banda e à tarde não tinha mais. Alguém havia saído ou sido despedido”. Em sua defesa afirma que, na verdade, “nunca brigou com ninguém”. É uma ótima fórmula para permanecer em um grupo de rock, assim achamos. Parabéns Mr. Paice! 

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *