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INJETORES + FIBONATTIS + O PREÇO + ARMADA – Hangar 110 – 03/06/2023

A noite era de celebração.

Henrike e Christian Targa – o Gordo –  respectivamente vocalista e guitarrista do Blind Pigs, importante banda punk de Barueri/SP, não se encontravam num palco desde 2016, quando o Blind Pigs anunciou o fim das atividades, em meio a tormentas relações.

Gordo seguiu, com o Surf Aliens e O Preço, essa última com quem se apresentou na noite. Henrike formou o Armada, com os remanescentes do Blind Pigs. Era a primeira vez que as respectivas bandas dos ex-Blind Pigs se encontravam num mesmo palco!

INJETORES

A banda paulistana, formada em meados de 2015,  iniciou os trabalhos, com a casa ainda vazia. 

Com um show correto, energético, e letras antifascistas e combativas, típico som punk Oi!/Skin, e já com hinos sing-a-long no repertório, a banda foi competente o suficiente para esquentar o público e atrair a atenção de quem ainda estava do lado de fora da casa.

FIBONATTIS

A banda de Francisco Moratto/SP Fibonattis

O nome da banda, com o “77” estilizado no lugar das letras  “TT” é o indicativo das inspirações sonoras da banda. Punk rock setentista, melódico, energético e bubblegum.

A entrega e a energia do Fibonattis no palco é impressionante, e o público é absolutamente responsivo aos refrões da banda. 

A banda tem letras com críticas sociais, mas mescla o discurso com situações cotidianas, como os perrengues da vida proletária, os amores e desamores, a paixão pelo futebol e a diversão com os amigos. 

Cheio de hits, com a casa já bastante cheia, foi muito legal ver como o Fibonattis já conquistou, em tão pouco tempo (a banda foi formada em 2014, em Francisco Morato/SP), um público fiel.

A banda lançou ano passado o álbum Cidade Mórbida, e as músicas do álbum foram entoadas a pleno pulmão pelo público, como “Vidas”, “Distintos Jamais”, “Cidade Mórbida”, e “Nunca Mais”. Os hinos “Fibonattis” e “Nossa Hora” também fizeram parte.

O Fibonattis soa como uma mistura de Ramones com Buzzcocks, temperados com uns riffs a lá Social Distortion. Não tem como uma mistura dessas azedar! Fiquei impressionado com a energia em palco da banda, principalmente do batera Gilson, que, além de competente, é bastante performático.

O PREÇO

Com nova formação, um álbum e um EP no bolso, era visível a emoção do Gordo. Já de cara entregou a satisfação de estar numa noite em que (re)encontraria Henrique, em bandas separadas.

O show d’O Preço começou a milhão. Com punk rocks rápidos, músicas novas, um ska aqui outro ali, e a competência vocal do Gordo (que sempre fez segundas vozes no Blind Pigs), a banda fez um set curto, mas correto. 

Christian “Gordo” Targa e O Preço

Alta Combustão”, o nome entrega, pôs fogo na galera, que não parou e entoou todas as músicas. 

Na Batalha”, “Não Venha Me Julgar”, “Sonhos da Televisão” e “Total Destruição” foram entoadas a plenos pulmões pelo público.

O novo baixista, Vitor, mandou muito bem. Infelizmente, durante o set d’O Preço, começaram a aparecer alguns problemas no som da casa, como falha nos microfones e microfonia nos retornos.

ARMADA

O ‘country’ “Próxima Estação” e o telão anunciou, e o Armada começou e, menos de 1 minuto depois, Henrike já tinha ido para a galera!

Como já foi dito na introdução deste texto, a Armada é o Blind Pigs sem o Gordo! Digo isso para ficar evidente a experiência e a competência da banda em entregar um show e saber conduzir a plateia. 

Mesmo os muitos problemas no som da casa – muitas falhas nos microfones, falha nos amplificadores, microfonias – a banda estava em casa e entregou um show de punk rock perfeito: enérgico, de respeito aos fãs. Momento de emoção foi em “Punk da Pedreira”, hoimenagem ao Fabiano, guitarrista do Blind Pigs, falecido em 2015.

Armada fazendo um show intenso no Hangar 110 – SP

Músicas do LP de estreia Bandeira Negra e do compacto Ditadura Assassina fizeram parte do repertório, bem como músicas do próximo álbum, prometido ainda para este ano. Algumas músicas são tão fortes e bem construídas que já viraram hinos, caso de “O Ódio Venceu” e “A Rua de Trás”. “Desperdício de Milagre” é um socão na boca das religiões hipócritas, e, como em tudo tem que haver amor, “Lisboa” foi dedicada à esposa do vocalista Henrike.

Armada fez um show espetacular, mas o melhor da noite, previsivelmente, estaria por vir.

BLIND PIGS

Não era exatamente uma surpresa! E também não seria justo se não acontecesse!

E ACONTECEU!
Logo após o show da Armada, Gordo se juntou à banda e tivemos, por 5 músicas, um pocket show do Blind Pigs. 

Henrike brincou: “aproveitem, pois não sei quando é que vou matar esse Gordo!”. Mas, durante o mini show, a banda anunciou que estará no cast do festival Oxigênio 2023, que deve acontecer em Setembro deste ano.

Foram apenas 5 músicas, dentre elas  “Amanhã não vai mudar”, “O Idiota” e a já clássica do punk rock nacional “Conformismo e Resistência”.

Muito intenso, plateia completamente enlouquecida e uma dúvida: será a volta do Blind Pigs? Será que teremos algo novo? 

Honestamente? Não importa! Ver Gordo e Henrike no mesmo palco, com as diferenças postas de lado e fazendo o que sabem, já vale demais.

Rodrigo Melão

Rodrigo “Melão” Camargo é pai da Victória, tutor da Padmé e casado com a Cibele, não necessariamente nessa ordem. Beatlemaníaco, Corinthiano, cozinheiro de urgências, ávido consumidor de música, filmes e séries. Às vezes um cara legal, às vezes letal. Escreve semanalmente no Instagram @prazeresplasticos. Escreve também para o site URGE (urgesite.com.br). Trabalha no setor de Telecomunicações há 25 anos, mas formou-se em Comunicação Social, talvez no intuito de manter acesa sua vontade de escrever sobre suas paixões.

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