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MR. BAD GUY

Hoje, 05 de setembro, seria aniversário de Freddie Mercury que neste 2023 estaria completando 77 anos. Um dos maiores performers e cantores da história do rock, o ex-frontman do grupo Queen faleceu em novembro de 1991, com apenas 45 anos de idade.

         Embora estivesse na ativa com o Queen desde 1970 e fosse um compositor prolífico, Freddie chegou ao seu primeiro e quase único álbum solo, somente em abril de 1985, durante um hiato da banda.

         Mercury é o compositor de todas as faixas de “Mr. Bad Guy”, o qual chegou a boas posições na Europa, embora tenha ido muito mal nos Estados Unidos. Aqui no Brasil especialmente a faixa “I Was Born To Love You” tocou demais nas rádios e o vídeo teve boa repercussão nos programas de TV. A banda havia acabado de passar por aqui no primeiro Rock in Rio, causando impacto, o que explica a grande atenção dada ao Queen e, é claro, ao seu imenso vocalista.

         Mas o disco não tem apenas “I Was Born…”. Embora sua pegada ultrapop possa afastar alguns velhos fãs do Queen, digamos, “mais pesado”, por aqui se recomenda que se aproveite a vibe anos 80 do LP, pois seus sintetizadores e baterias eletrônicas estão a serviço de um repertório, em geral, de excelente qualidade, sem muitos escorregões.

         A faixa de abertura é um pequeno desafio. “Let’s Turn It On” lembra um pouco as experiências do controverso “Hot Space”, mas trata-se de um tema agradável, com múltiplos vocais e uma modulação no meio que salva a música por completo.

         “Made In Heaven” é aquela música aproveitada para o disco póstumo homônimo do Queen. Uma bela canção, em que Freddie utiliza toda a sua extensão vocal, ainda incólume aos efeitos da doença que abreviaria sua vida.

         Passado o megahit “I Was Born” temos a ótima “Follin’ Around”, que lembra um pouco as levadas pop de bandas como Level 42, Hall & Oates e assemelhadas, contendo um excelente trabalho nas teclas, cortesia de Fred Mandel, que tem no currículo vários trabalhos com Alice Cooper e Elton John. O lado A encerra com “Your Kind of Lover”, com acento gospel e linhas de baixo matadoras.

         A faixa título principia o Lado B, com arranjo grandiloquente e uma ambientação que lembra um pouco os trabalhos finais do Queen, principalmente no disco “Innuendo”. A utilização de instrumentos clássicos em fuga, durante a coda, é um dos pontos altos do álbum.

         “Man Made Paradise” é outra pérola pop, com Freddie cantando em chamada e resposta em canais diferentes e várias mudanças de tom. Um dos melhores refrões do disco disparado, com um excelente solo de guitarra tramado por alguém que, certamente, devia ser muito fã de Brian May.

         “There Must Be More Life Than This” é uma balada que podia estar em alguma produção da Disney. E isso é um elogio. Mercury é um grande compositor e as soluções que encontra para músicas como essa são de encher os olhos. Uma curiosidade é que esta canção foi gravada em dueto com Michael Jackson no começo dos anos 80, quase entrou no “Hot Space”, quase entrou neste disco, mas acabou na coletânea “Queen Forever”, de 2014.

         “Living On My Own” também teve grande veiculação pelas rádios brasileiras e é um dos hits do álbum. Uma música simples e eficaz, com final exagerado que pode assustar um pouco. Segue-se um reggae de branco – “My Love Is Dangerous” – que acelera no meio. Freddie devia estar ouvindo The Police (que bom!).

         O disco é finalizado com mais um baladão. “Love Me Like There’s No Tomorrow”. Hoje a música mais ouvida do álbum nos streamings do Spotify. A explicação pode estar no tocante vídeo animado, feito em 2019, para o lançamento da coletânea dos trabalhos de Freddie, “Never Boring”, produzida na esteira do sucesso da cinebiografia da banda. Vídeo este que conta hoje com 26 milhões de acessos no You Tube.  

         Mr. Bad Guy é um ótimo disco pop para os fãs de Freddie Mercury, um cantor absolutamente inesquecível.

Crédito: Foto para o disco atribuída ao fotógrafo Andrzej Sawa

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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