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NIGHTBREAKER (1993): A perseverança de Mark Reale e a essência intacta da lendária RIOT.

Por Líbia Heavy

Como é bom ter a oportunidade de compartilhar um álbum que frequentemente ouvimos, melhor ainda quando é de uma banda tão especial para os verdadeiros amantes do Heavy Metal. Permita-me expressar meu entusiasmo enquanto mergulho no som do “Nightbreaker”, lançado em 1993 pela clássica banda nova-iorquina, RIOT. Confesso que durante esse texto até coloquei o disco para rodar… Perdi as contas de quantas vezes já ouvi.

Porém, é impossível falar de qualquer lançamento da RIOT sem mencionar Mark Reale, que foi o idealizador da banda, fundando-a oficialmente em 1975. Sabendo da idade da banda, já podemos chegar à conclusão de que por muitas fases ela passou, e antes dessas várias fases, o principal fundador criou uma casca.

Reale teve sua formação de guitarrista através de Ritchie Blackmore, Gary Moore, George Harrison e Eric Clapton. Mas foi depois de assistir aos shows de Ronnie Montrose e Edgar Winter que ele decidiu virar guitarrista da sua própria banda. E durante grande parte da sua carreira musical sofreu com a doença de Crohn, uma doença que causa muitas implicações com risco de vida. Mesmo diante de todas as dificuldades, foi um dos músicos mais prolíficos do cenário. Dessa forma, é muito provável que seja uma das principais razões dos temas motivacionais nas várias faixas da discografia.

Cheguei à banda através do prestigiado “Thundersteel (1988)”, e após ficar presa no disco e principalmente nas faixas “Fight Or Fall”, “On Wings Of Eagles” e “Run For Your Life”, fui descobrindo aos poucos os outros inspirados lançamentos de todas as décadas de sua existência.

O último álbum com Mark Reale foi “Immortal Soul(2011)”, e hoje ele estaria como um pássaro ainda semeando no heavy metal se não fosse a sua morte no ano de 2012, em decorrência da doença que tanto o fez sofrer. Portanto, a banda atualmente colhe os frutos do que foi semeado, agora como RIOT V. Muitas pessoas não compreendem o óbvio, muitos até a acusam de ser hoje uma banda cover, então cabe uma pequena explicação sobre a presença desse número romano. Nada mais é do que um reconhecimento os vocalistas que passaram no grupo enquanto Mark Reale estava na ativa, e a posterior adição do então 5º vocalista da RIOT, Todd Michael Hall. Finalizando essa pequena explicação, também tem o apoio da família do saudoso guitarrista, com o intuito de manter o legado.

Já que mencionei “todos os vocalistas” no parágrafo anterior, aproveito para apresentar um pouco do que cada um deles apresentou em suas consistentes fases. Ao ouvir a discografia com Guy Speranza, notamos uma veia mais Hard Rock, já Rhett Forrester, na minha opinião, pende ao Hard ‘n’ Heavy, com Tony Moore, ouvimos uma aula de Speed Metal com vocais mais estridentes. Finalmente, chegando aos anos 90, encontramos Mike DiMeo, o vocalista do álbum que será o principal assunto nas próximas linhas.

Neste momento, estou virando o disco para continuar ouvindo o 8º álbum, “Nightbreaker(1993)”, e o primeiro dos seis lançamentos com Mike DiMeo nos vocais. Para você ter uma ideia da qualidade da voz, ele já chegou a ser cogitado para ser o próximo vocalista do Deep Purple, embora a banda tenha optado por continuar com o Ian Gillan.

A voz de DiMeo é de médio alcance, mas é capaz de atingir notas agudas sem necessidade do uso de falsete. Nesse álbum, há uma banda altamente compacta, com habilidade de tocar em grande ritmo, mas sem nunca abandonar os caminhos mais melódicos. A faixa-título apresenta bem essa característica, mostrando lindamente a escola Ritchie Blackmore. Outro ponto alto vem em seguida, a apaixonante “Medicine Man”, com uma veia blues tanto nas guitarras quanto nos vocais.

Para os fãs de baladas, aqui tem apenas uma, e muito bela por sinal, ela se chama “In Your Eyes”. Ela se desenvolve a cada minuto, começando com os vocais emotivos e sem perder o tom, acompanhado com o som acústico do piano, e no final, somado aos solos maravilhosos de Reale.

Como tradição, em seus álbuns, a banda inclui covers de outras bandas, nesse vamos ouvir as ótimas versões das famosas “Burn” e “A Whiter Shade of Pale”.

Algo importante a se observar é a excelente produção e a dinâmica entre uma faixa e outra, pois são elementos importantes para nos prender à audição completa.

Na época do lançamento oficial, infelizmente não repercutiu bem nem no próprio país, com exceção ao Japão, onde além de fazer muito sucesso, foi lançada uma versão com faixas extras. Aqui no Brasil, no ano de 2019, a Urubuz Records nos proporcionou o lançamento com essas faixas extras que só haviam saído na edição japonesa.

É um álbum realmente imperdível, que devemos ouvir sem comparar fases, pois é de um estilo único, mas que mantém a essência, pois Mark Reale costumava adaptar o ritmo a cada estilo vocal. O entrosamento tanto nas composições quanto nas execuções dizem muita coisa.

Líbia Heavy

Roraimense que mora no sul do País, é uma apaixonada por música e uma curiosa incansável, principalmente quando se trata do universo do rock/metal. Também é criadora do canal "Líbia Heavy" no YouTube, onde compartilha bandas incríveis, contando histórias e instigando seus amigos a se apaixonarem por discos que estão em sua coleção.

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