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Nouvelles du Québec

“ONTONPÉTONFON COWBOYS FRINGANTS”, precedendo um country cantado em francês (com banjo e tudo), foi o que escutei pela primeira vez em uma rádio Canadense.

Não que eu esperasse avistar o Neil Young dirigindo algum de seus cadillacs dos anos 50 pelas ruas ou pretendesse trocar figurinhas com o Geddy Lee em qualquer loja de artigos colecionáveis mas nada (nem eu) pareceu estar no devido lugar, quando desembarquei de mala e cuia em Montreal, há alguns meses.

Por falar em rádio (e sintonia), me lembro de escutar uma música em que a letra fala qualquer coisa sobre um cara ter perdido a mulher em Saskatchewan, pra um homem de Ontário (o que foi um alívio, pois por um momento presumi que a tivesse perdido o para o Pé Grande). Pra ser honesto, até então pensava que o Pé Grande fosse o único habitante de Saskatchewan. Mas antes tivesse sido, não é? Que azar. Bem, pelo menos não se trata de um country francês, mas de uma banda (que não se leva a sério) chamada Les Trois Accords!

Sobre sintonia, é incrível pensar nas amizades que fazemos através de um fascínio em comum por música. Um dia desses tive a oportunidade de conectar meu celular em uma caixinha que estava fazendo o som de um churrasco e ver a magia se materializando através de meia dúzia de músicas populares do Dire Straits. Nessas horas podemos imaginar o Don Corleone surrando no ouvido do Michael uma sentença de que “o primeiro que aparecer para elogiar Dire Straits será seu amigo”. E foi assim que acabei ganhando um grande amigo romeno, que tem me apresentado algumas bandas e tradições eslavas, mas isso é papo pra outra hora!

No momento venho trazer novidades do oeste daqui, dessa velha França congelada pelo tempo, no estilo Neal Cassady! E por falar nisso, os pais do Jack Kerouac eram de uma província do Québec. Eu entendo que você esteja se perguntando “e dai?”. Ok, estamos juntos, pois eu também estou fazendo a mesma pergunta enquanto escrevo. Talvez esse tipo de informação faça mais sentido para leitores que, assim como eu, são interioranos, advindos de lugares onde não acontecem muitas coisas e qualquer referência é rememorada com um orgulho singular.

Apesar das bandeiras canadenses se encontrarem em meia haste há quase três anos, desde a morte do Neil Peart, não posso deixar de indicar uma banda nova de Toronto, chamada DOPAMINE DREAMS. A banda tem tocado em bares pequenos e vendido o primeiro LP nas apresentações “pelo preço que os espectadores estiverem dispostos a pagar”. O disco também pode ser escutado por menos que isso no Spotify, basta procurar por “Unknown”. Ouça e tire suas conclusões se você também não apostaria uns trocados que a faixa-título não poderia facilmente ser um clássico do David Bowie.

A propósito, tem um videoclipe dessa música no youtube, o qual recomendo fortemente. Esse disco que já pode ser considerado um clássico indie, com elementos psicodélicos, dou destaque para as faixas “Focus”, “Change”, e para a incrível “Bear it all” – favorita do meu grande amigo Jeff Mizuno, o cara que me apresentou essa incrível banda e está tendo a oportunidade de acompanhar o cenário de perto!

Por enquanto é isso! Volto a qualquer momento com mais notícias aqui do Quebec.

Guilherme Daher

Guilherme Daher é goiano, mas roqueiro, e está atualmente morando (e passando frio) no Canadá

3 thoughts on “Nouvelles du Québec

  • Julio Cesar Mauro

    Fiquei 3 meses em toronto e fiquei viciado em Stan Rogers, tem que tocar aqui no streaming pelo menos 1x por semana.

    Pena que é quase impossível achar algo dele aqui em terra brasilis

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    • Guilherme Daher

      Caramba, gostei muito. Obrigado pela indicação, Julio! Abraço.

      Resposta

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