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O dia em que eu redescobri os Titãs

Aqui no Vira o Disco, vocês vão poder ler a resenha maravilhosa do Rodrigo Melão clicando aqui. Por isso não vou me prolongar em detalhes do show. No texto dele, está tudo lindamente descrito, explicado, comentado. Então, eu quero abordar esse show por uma visão totalmente parcial e apaixonada.

Quero abordar esse momento como um dos dias mais especiais da minha vida. Porque foi no dia 17/06/2023 que eu me reconectei com aquela que já foi a minha banda de rock nacional predileta e que eu abandonei quase que totalmente há 20 anos, salvo pelos pouco sucessos que ainda fizeram.

Comprei os ingressos no primeiro dia de vendas, há 9 meses. Foi, então, uma gravidez de espera, rs! Quando as apresentações começaram, em abril, no Rio de Janeiro, a ansiedade foi batendo cada vez mais forte. Sei que deveria evitar ver notícias para ter a surpresa do setlist no dia do show. Mas a turnê já estava num hype muito grande, e logo descobrimos que Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes teriam muito destaque e que o foco do show seriam as músicas gravadas pela formação original, com algumas poucas exceções.

Outra coisa que impressionou foi a grandeza. Essa turnê provou que bandas nacionais podem (e devem) fazer shows grandiosos, com estrutura de palco à altura da música. E música de primeira foi o que vimos. Mas vamos voltar ao show de São Paulo. Claro que em todos os locais do Brasil as apresentações devem ter sido especiais. Mas tocar aqui, na cidade deles, para 150 mil pessoas, totalizando os 3 dias, com certeza, foi diferente. E não eram quaisquer 150 mil pessoas, eram fãs, apaixonados, extasiados, embasbacados com tudo que estava acontecendo ali em cima do palco.

Poder ver todos juntos, com o Marcelo em nossos corações, foi algo que eu nunca imaginei que pudesse acontecer. Já que quando Arnaldo saiu eu era criança e ainda não frequentava shows. Mas eu vi com a formação completa, apenas sem o Arnaldo, e eles sempre foram uma banda de palco, de showzaços. Só que com a saído do Nando também nunca esperei vê-los juntos novamente e também segui outro rumo. Esqueci dos Titãs, não do que eles haviam feito, Jesus ainda era um dos meus álbuns prediletos do rock nacional, eles ainda tocavam no meu coração e no meu fone de ouvido, mas nunca mais senti a mesma coisa por eles. Até dia 17/06…

Lá, no Allianz lotado, de fãs de verdade, eu redescobri os Titãs e relembrei os motivos pelos quais eles foram minha banda predileta, foram a minha primeira escolha quando eu já tinha idade para ver shows sem a companhia de adultos. Nesse dia, eu me vi criança ouvindo essas músicas emblemáticas que, provavelmente, eu não entendia nada. Nesse dia, eu me vi adolescente, pulando que nem louca e cantando Bichos Escrotos sem o palavrão, porque até hoje, aos 40, eu não falo palavrão. Nesse dia, eu me vi apaixonada de novo por todos eles, por cada um deles.

A alegria em fazer parte daquele momento, mesmo sabendo que talvez nunca aconteça de novo, foi edificante. Poder estar lá com meu irmão gêmeo, que estava comigo lá em nosso primeiro show sem adultos, há 25 anos, e com o amor da minha vida tornou tudo mais emblemático ainda. Era lindo ver o sorriso de cada um ali, sorriso esse que tenho certeza está até hoje no rosto de cada um presente.

Esse dia vai ser lembrado para sempre por mim como o dia que eu voltei a adorar a presença de palco do Paulo, a energia do Sérgio, a técnica do Charles, as estranhezas do Branco, o estilo do Arnaldo, o rock do Tony e a explosão do Nando…voltei a sentir saudades do Marcelo.

Obrigada, Titãs, por lembrar a todos aqui que o rock, aquele pesado, aquele que incomoda, aquele que fala por nós, não morreu.

Mari Cazé

Mari Cazé, jornalista apaixonada por notícias e esportes, mas não praticante. Amante do rock nacional, fissurada por The Who, Bruce Springsteen, Maná e tantos outros, mas beatlemaníaca acima de tudo.

One thought on “O dia em que eu redescobri os Titãs

  • Rodrigo Melão

    Que crônica MARAVILHOSA Mari!
    As emoções, resgates e sentimentos que a música nos proporciona é algo que, talvez, jamais consigamos explicar.
    Obrigado pela citação e parabéns pelo emocionante texto!

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