Histórias

O dia que encontrei o Guilherme Isnard

Como a vda é mágica e cheia de surpresas!

Momentos que, por mais curtos que pareçam, nos marcam para sempre. Sou fã de Rock Nacional dos anos 80 desde garoto, quando, ainda pequeno, vi estourarem a Blitz, Ultraje, RPM, Paralamas…e toda aquela geração maravilhosa. E o Zero era uma das bandas que eu mais curtia e que conheci através de um primo mais velho, muito querido e que se foi muito cedo, há pouco mais de dois anos.

O Zero passou a fazer parte da minha vida, presente na minha playlist de BRock que insisto em tocar nos churrascos e festas de família (e que sempre vou tocar rsrs). E, claro, na minha pequena coleção de discos de vinil estão os dois primeiros álbuns da banda, lançados em meados da daquela década tão especial.

Há um tempo encontrei o Guilherme Isnard, líder e vocal do Zero, no Instagram e me surpreendi em saber que ele ainda estava na ativa, e que tinha lançado coisas novas, inclusive. Logo depois, houve um evento em Vitória e o Guilherme esteve presente. Justo naquele dia eu estava viajando. Confesso que cheguei a pensar que não teria outra chance de vê-lo ao vivo.

O tempo passou e foi anunciada a presença dele novamente por aqui, num pub tradicional, numa noite dedicada ao Rock Nacional, com outros nomes importantes daquela época, para meu desespero, na mesma data de um outro show para o qual eu já havia comprado ingresso. Cheguei a mandar uma mensagem pro Guilherme lamentando o fato. Mais uma vez ele estaria por aqui e eu não conseguiria vê-lo.

No dia seguinte haveria um outro evento de Rock na cidade com o Ira! como atração principal, mais algumas bandas locais. Logo pela manhã recebi uma mensagem de um amigo, um dos organizadores, com a chamada para o show. Na pressa, li o texto mas não vi as imagens anexas. Na noite anterior havia escutado numa rádio local que uma surpresa de última hora iria pintar nesse evento. Uma atração nacional.

Perguntei pro meu amigo se ele sabia quem era, se poderia me adiantar a surpresa, sei lá. De repente levar um disco para autografar, tirar umas fotos…”você não viu as imagens com a chamada para o show?”, ele respondeu. Abri as fotos e lá estava o Guilherme Isnard, confirmado. Enfim, eu teria a honra de vê-lo em ação. Mais de trinta e cinco anos depois de ter me apaixonado pelo som do Zero, enfim chegaria o dia.

Hora do evento. Partimos pra lá, eu com minha bolsa, levando o Carne Humana, do Zero, e alguns CDs do Ira! para tentar uns autógrafos. Chegamos em meio ao show de uma banda local, a Picnic Dogs, que fazia um set todo de BRock, e que contaria com a participação do Guilherme cantando algumas músicas. E o show estava muito legal, só clássicos, a gente curtindo horrores, a banda detonando….foi quando vi ao lado do palco o Guilherme, sentado meio que no escuro, esperando a sua hora de brilhar. Tentei acenar mas ele não viu. Dei sinal para um staff que estava ao seu lado e pedi para que o chamasse. Tirei o Carne Humana da bolsa e o ergui. Ele me olhou e numa fração de segundo, abriu um sorriso, se levantou e caminhou em minha direção.

Meu coração disparou. Na hora eu não sabia o que fazer. Fui ao seu encontro e ele me recebeu com um abraço apertado como se fôssemos amigos de longa data. Eu só soube dizer “que honra, mestre!”. Ele me olhou, pegou o disco, me olhou novamente, e sorrindo me agradeceu por estar ali. Retribuí o agradecimento e perguntei se ele poderia autografar depois do show. Ele disse que sim. Nos despedimos num “até já”. E ele subiu ao palco.

Foi espetacular! Mandou alguns clássicos do Zero, inclusive “Quimeras”, que não poderia faltar, uma das minhas músicas favoritas da vida. Passei pelo meu amigo, um dos organizadores do evento, e por garantia, reforcei o pedido. Eu não poderia sair dali sem o autógrafo e uma foto com meu ídolo. No intervalo, quando esperávamos o próximo show, senti alguém tocar meu ombro. Era meu amigo, com o Guilherme do lado. Entreguei meu disco e ele autografou com os dizeres: “Ao o amigo Vinícius, com um abraço do Guilherme Isnard”. E as pessoas ao redor olhando aquilo tudo acontecendo.

E depois de me atender com toda a atenção e educação, o Guilherme ficou por ali tirando fotos com a galera, com a mesma simpatia e educação, sempre sorrindo. Muito mais que um artista, um ser humano formidável. Eu havia zerado a vida. Pouco depois fui ao camarim do Ira! antes do show, para tentar autografar uns CDs. E quando estava por lá, tietando o Scandurra e o Nasi, eis que o Guilherme aparece. Acabei saindo na foto ao lado dos três. Felicidade! Alegria de poder estar ali, mesmo que por alguns minutos, ao lado dos meus ídolos de ontem, de hoje e de sempre.

No dia seguinte postei a tal foto no Instagram e pra minha surpresa o Guilherme fez um repost no seu feed. O que já era alegria, satisfação, virou emoção. Aquela sensação de que os Deuses do Rock me olharam lá de cima e pensaram: “que seja feita a alegria desse cara que é tão apaixonado, e que dedica parte da sua vida a música, mesmo sem ganhar um centavo por isso”. Mal sabem Eles, os Deuses, que o que eu ganho vale mais, muito mais, do que qualquer dinheiro, do que qualquer tesouro. Viva o Rock! Viva a música e suas conexões!

ViniLcius Andrade é um dos administradores e fundadores do perfil Discólatras no Instagram e canal Discólatras no YouTube. Apaixonado por BRock, Clube da Esquina e música de verdade.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *