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O Grand Prix do Teenage Fanclub

No final de 1991, diante da tarefa de compilar sua lista obrigatória dos melhores álbuns do ano, a revista Spin decidiu conceder o título de melhor álbum de 1991 a Bandwagonesque , o segundo longa dos escoceses do power-pop, Teenage Fanclub.

Talvez isso não pareça muito quando dito em termos tão simples, mas considere a competição – Nevermind épico do Nirvana, o sublime Loveless do My Bloody Valentine, o altamente influente Laughing Stock do Talk Talk, o mega-vendido Ten do Pearl Jam, o Metallica (The Black Album), Achtung Baby, que definiu a carreira do U2, Out of Time do REM, BloodSugarSexMagik, que definiu a carreira do Red Hot Chili Peppers, Blue Lines, reverenciado pelo Massive Attack, Screamadelica, obra prima dance-rock do Primal Scream, ainda o The Low End Theory do A Tribe Called Quest. Que ano incrível.




Além de toda esta “competição” o que tornou esta decisão mais louca é como após isso o Teenage Fanclub havia saido do radar. Era de se esperar que eles aparecessem mais, mas o que se viu foi o oposto. O grunge se tornou uma supernova e assumiu o controle, e não parecia haver espaço para canções pop clássicas, bem escritas e alegres. Ai em 1995 vem Grand Prix. Se o Grand Prix tivesse sido lançado em 1965, 1975 ou 2005, as pessoas teriam desmaiado e, sim, provavelmente teria figurado em muitas listas dos 50 melhores no final do ano. Mas em 1995, ninguém se importava que um dos álbuns pop mais perfeitos de todos os tempos estivesse bem debaixo de seus narizes.

Grand Prix é onde o Teenage Fanclub aperfeiçoou tudo o que originalmente fazia com que as pessoas prestassem atenção neles. As harmonias, os riffs feliz, a disposição ensolarada estavam todas no lugar, todas entregues com mais confiança do que em qualquer álbum antes ou depois, e a composição é francamente impressionante. Eles também aperfeiçoaram a arte de referenciar suas influências liberalmente sem soar como imitadores, ou mesmo antiquados. Essas músicas ainda soam novas, 28 anos depois.

Este é seu quinto álbum e o primeiro a atingir o top ten das paradas. “Grand Prix” foi sucesso comercial e de crítica no Reino Unido, chegando a receber elogios de um emblemático Liam Gallagher do Oasis, que na época chegou a dizer que o Teenage Fanclub era a “segunda melhor banda do mundo, perdendo apenas para o Oasis”.

Além deles, outros artistas estavam “de olho” neste disco, como é o caso dos escoceses compatriotas Belle & Sebastian, Travis e The View, ambos fortemente inspirados por este álbum. Mas ainda teve o Magic Numbers, Death Cab for Cutie e Camera Obscura. E, mesmo assim, o disco passou despercebido naquela época. Mesmo agora na época em que estamos, sua sonoridade, suas camadas, seu brilho tudo, nada vai soar como eles soaram naquele ano. Alguns diriam que é um álbum pop e nada mais. Mas ele é absolutamente tudo o que o pop deveria ser – divertido, comovente e inteligente sem ser presunçoso.

Independentemente da natureza melancólica das letras, Grand Prix sempre me deixa de bom humor. É um álbum de tons sutis, melodias exuberantes e letras doloridas que me lembram como a música pode ser rica e gratificante.

#minhavidaemvinil

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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