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“O lindo começo” do Sigur Rós

“Ágætis Byrjun” é o segundo álbum de estúdio da banda islandesa Sigur Rós, lançado neste dia em 1999.

O álbum conquistou o reconhecimento da crítica e se tornou um marco na carreira da banda, graças à sua atmosfera e às paisagens musicais criadas, apresentando uma mistura envolvente de elementos do post-rock, música clássica e ambient.

A produção de “Ágætis Byrjun” é meticulosa, com arranjos que criam camadas de instrumentos e texturas sonoras exaustivamente trabalhadas. O resultado é uma experiência densa e imersiva, onde cada detalhe é cuidadosamente considerado.

A voz única do vocalista Jónsi Birgisson, às vezes cantando em uma língua própria chamada “Hopelandic”, adiciona ainda uma sensação etérea e faz com que toda experiência musical transceda barreiras da linguagem, dando a cada ouvinte sua própria narrativa emocional.

Uma das faixas mais conhecidas do álbum é “Svefn-g-englar” – ela aparece no álbum da trilha sonora de “Vanilla Sky”, de Cameron Crowe. Com sua progressão delicada e crescendo gradualmente, a música transporta os ouvintes para um estado de serenidade quase hipnótico.

Destacam-se ainda faixas como “Starálfur”, com seu clima melancólico e belas harmonias vocais, e “Viðrar Vel til Loftárása”, que apresenta um lento arranjo de piano evoluindo para um clímax épico.

Chama a atenção também a faixa-título, que significa “um começo promissor” em islandês. Quase cinematográfica, a canção encapsula a essência da sonoridade única da banda. As camadas de guitarra, o uso de arcos de violino e a percussão sutil criam uma tapeçaria complexa e belíssima.

O álbum também apresenta momentos mais introspectivos, como as igualmente belas “Flugufrelsarinn” e “Olsen Olsen”, onde é possível sentir o gélido clima islandês ecoando nos lamentos de Birgisson.

Mesmo após vinte e quatro anos de seu lançamento, “Ágætis Byrjun” continua a encantar e surpreender pela originalidade e inovação. Contemplativo, capaz de proporcionar uma viagem musical rica e profunda, é um daqueles álbuns que capturam o espírito de seu tempo e se tornam obras-primas.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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