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O último grande álbum de rock

Este talvez seja o último grande álbum de rock. Não o último grande conjunto de canções no mesmo disco. Mas ÁLBUM – com conceito, com uma linha condutora, com as faixas se encaixando e conversando entre si.

Também é grande pela maneira que inova na mistura de rock com música eletrônica. Rock com samples e sintetizadores é algo que já existia. O que o Radiohead faz é trabalhar com isso de uma forma que surpreendeu todo mundo: as camadas, timbres, as texturas que são entregues em cada faixa.

A banda empregou uma variedade de técnicas de estúdio para criar um ambiente sonoro único. A mistura de elementos eletrônicos, guitarras distorcidas e arranjos orquestrais contribui para a atmosfera melancólica e intensa do álbum.

A progressão das faixas cria uma narrativa coesa, fazendo de Ok Computer um álbum absurdamente imersivo. Uma vez que o ouvinte se deixe levar, vai passar a ter uma sensação de estar circulando entre as faixas, navegando entre elas.

É comum ouvir que o OK Computer fala de alienação, da tecnologia guiando nossa vida, de desencanto e desespero. É verdade. Também é um disco sobre a fragmentação de relacionamentos, sobre o jeito que as pessoas se vêem. Um futuro distópico, repleto de ansiedade causada por um mundo acelerado.

É um disco que não deixa quem ouve se sentir indiferente. É melancólico. É angustiante. E arrepiante. Nada em OK Computer é colorido ou alegre. Ainda assim, tudo é muito, muito bonito.

Ok Computer completa hoje 26 anos de lançamento.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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