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Parachutes, a estreia do Coldplay

Parachutes, álbum de estreia do Coldplay, tem sido objeto de diferentes perspectivas, mesmo depois de 23 anos de seu lançamento, completados hoje.

Alguns destacam a sensação de genérico e inofensivo, outros enaltecem a capacidade da banda de criar as canções cativantes que permeiam o álbum.

É verdade que o Coldplay surgiu em meio a uma onda de bandas britânicas que se aproximavam muito do som do Radiohead. Era uma época onde todos queriam ter seu Ok Computer, mas acabavam, no máximo, fazendo o equivalente a sobras de estúdio do The Bends.

No entanto, o vocalista Chris Martin emerge como força motriz por trás do sucesso da banda, com sua habilidade de adaptar sua voz a diferentes estilos e influências. Nos EUA ele era considerado uma mistura de Dave Matthews com Jeff Buckley – e nem sempre isso era dito de forma elogiosa. Porém, Martin tem seu próprio estilo e, pelo menos na primeira década da história do Coldplay, sua entrega emotiva era sincera.

Em Parachutes, os singles de fato são as canções mais fortes: “Don’t Panic”, “Shiver”, “Yellow” e “Trouble” merecem o destaque que têm e possuem melodias geniais e evocam uma bem-sucedida combinação de nostalgia e esperança.

“Sparks” é uma deliciosa canção vinda de uma caixinha de música. “Spies” encanta com uma dinâmica delicada, fazendo a canção crescer aos poucos, enquanto “High Speed” é um convite a pegar a estrada num fim de tarde.

“We Never Change” e “Everything’s Not Lost” encerram o disco de forma pouco memorável e, vamos admitir, são exemplos do som inofensivo pra dias de chuva que a banda era acusada de fazer (antes de passar a ser acusada de compor músicas ruins por outras razões).

E é exatamente por esse viés que Parachutes ganha pontos: com o tempo o Coldplay se torna tão insípido e artificial que sua estreia parece ainda mais saborosa e interessante em retrospectiva.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

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