Livros

Paraíso na fumaça: Música e jornalismo maconheiro

Ler o livro de Chris Simunek é um ode ao jornalismo chapado, derivado do novo jornalismo, o jornalismo gonzo coloca o autor dentro das histórias e muitas delas pela quantidade de fumaça consumida pode deixá-las meio sem objetivos.

Nesse momento você deve estar se perguntando, mas porque diabos estamos falando de jornalismo maconheiro em um meio musical, a resposta é simples, Paraíso na Fumaça: Viagens de um jornalista da High Times é uma jornada esfumaçada, lisérgica e anfetaminada por algumas das matérias que o autor cobriu durante seus anos na revista High Times e muitas dessas histórias tem a música como pano de fundo.

A High Times é uma renomada revista norte americana sobre a cultura da canabis. Hoje em dia, lá nos EUA é fácil termos esse tipo de publicação devido a legalização da maconha, mas durante anos, a High Times era voz dissonante e considerada como mídia alternativa.

Já Chris Simunek foi editor de cultivo e viajou por uma grande parte dos EUA conhecendo plantações clandestinas na época.

No livro, além de contar histórias sobre a ótica do jornalismo maconheiro, ele apresenta diversos personagens interessantes, caricatos e esdrúxulos em sua jornada no universo alternativo.

Tipos hippies em comunidades que se encontravam como se estivessem nos 60, festivais de motoqueiro e rastafáris que quase o levaram a morte.

O início do livro conta como Chris saiu de um medíocre(nas palavras dele) posição de professor do segundo grau para uma “carreira” na High Times.

Chris Simunek, High Times. Photo by Rebekah Harris

Residente de Nova Iorque, Chris andou por Trench Town atrás da história de Bob Marley, mas os locais só lhe deram balão na primeira vez que foi a Jamaica, o que vale aqui são as histórias e as lembranças esfumaçadas que ele contou desses momentos.

Na segunda ida, mesmo mantendo-se chapado em tempo integral, a matéria era sobre Bunny Wailer e o movimento Nyahbinghi um movimento pela libertação dos Rastas. Desta feita, mais safo e com a compreensão de como funcionava a sociedade local, ele conseguiu o que queria, mas passou um perrengue com os nativos, inclusive correndo risco de vida.

Já no famoso encontro de motoqueiros em Sturgis, o evento mais antigo do país encontrou tipos engraçados que parecem sair de algum filme caricaturado de Hollywood, extremamente bêbado e aditivado, ele passa por situações complicadas e que nos fazem rir e imaginá-las.

Entre elas, um flerte com uma garota mais nova e seu padrasto estilo Hell Angels, por sorte, o padrasto apagou no trago e ele pode sair ileso.

O encontro hippie onde ele ingeriu peyote, um cacto alucinógeno junto a uma celebração estilo anos 60 e a vida em comunidade por alguns dias nesse acampamento não são para pessoas como ele, uma pessoa acostumada com a metrópole.

A forma como ele descreve os momentos stoned são impagáveis.

A história épica para os amantes de rock foi contada por ele quando se junto a Lemmy Kilmister do Motorhead em seu quarto de hotel para tomar uns speeds e conseguiu uma entrevista em um evento da indústria do metal farofa, caído com o avanço do grunge nos 90, o Foundations Forum.

Aliás, essa matéria com Lemmy pode ser lida no site PleaseKillme.com.

Vale lembrar que todas essas histórias e momentos sempre estão ligados a música, visto que as culturas que ele mergulha em sua jornada são recheadas delas.

Uma leitura para quem quer sair do lugar comum, uma mistura de Tom Wolfe com Hunter Thompson. Se você não conhece esse dois, ta aí mais duas dicas de autores para ler!

Marcelo Scherer

Jornalista, fundador do Disconecta, do Canal Disconecta no Youtube e colaborador do coletivo Vira o Disco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *