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PAUL MCCARTNEY – GOT BACK TOUR

ALLIANZ PARK – SÃO PAULO – 07/12/2023

Fonte: divulgação do artista

Aconteceu de novo.
James Paul McCartney, esse encantador de serpentes de 81 anos, me comoveu. De novo.
Foi meu quinto “encontro” com Ele. Confesso que criei expectativas desnecessárias, com receio de que mais um show do velho Macca fosse, simplesmente, mais do mesmo. Bem, foi e não foi. 

O setlist dos concertos de Paul McCartney são muito similares, desde cerca de 2002, quando sua banda fixou formação com os excepcionais músicos que o acompanham: o tecladista e gaitista Paul “Wix” Wikins; o guitarrista Brian Ray; o guitarrista e eventual baixista Rusty Anderson; e o baterista/percussionista/dançarino Abe Laboriel Jr. Todos músicos contribuem também com vocais de apoio.

Dessa vez, criei expectativas em torno do concerto por uma razão muito pessoal, e emocional: minha filha estaria no show conosco. Como há 12 anos atrás, mas, desta vez, eu poderia vê-la reagindo e interagindo às canções que, desde sempre, nos acompanham.

Paul McCartney deve mesmo ter morrido nos anos 60. O que não dizem é que seu sósia é um androide. Não, um senhor de 81 anos, sem um poli vitamínico e um chazinho, não faz o que esse “androide” faz. Paul empunha e toca seu clássico contrabaixo Höfner, o troca por guitarras, piano, ukulele, bandolim, interage com a plateia, canta, encanta. Vê-lo no palco nos dá a hipnótica sensação de estar na presença de um semideus. McCartney criou a matriz de tudo o que é feito na música pop, e isso é encantador aos que amam a boa música.

Durante cerca de 120 minutos, Paul faz de tudo no palco. Toca todos instrumentos, fala nosso idioma, faz piadas consigo mesmo, com a banda, com sua idade. Estar com 81 anos parece ser mais um argumento para o espetáculo,  e trás ao artista a oportunidade de mais piadas, charmes e interações. Mas as interações não são longas, daquelas que se estendem e “enrolam” o espetáculo. O show não para por cerca de duas horas, e esse vigor no palco impressiona. E o show continua por mais alguns bons minutos.

Não era meu primeiro show, nem o primeiro show da minha filha. Mas era o primeiro show gigante dela, e a excitação pelo diferente a tornava ansiosa. Observá-la foi mágico. Me surpreendeu ela saber cantar tantas músicas dos Beatles, e não se intimidar em meio a um monte de adultos, alguns ébrios, e enfrentar a multidão por uma visão melhor do palco/telão.

Exceto por uma foto “nossa” antes do início do concerto, não tirei fotos. Não fiz vídeos. Deixei essa parte para ela, entendo ser importante para a geração alpha. 

Um show de Paul McCartney tem seus defeitos. Sua voz não é mais a mesma. Mesmo vital, seus movimentos já são de um “senhorzinho”. Mas nada é impeditivo a ele: depois de mais de 2:30hs de show, lá está ele, aos berros, em “Helter Skelter”. Ninguém ousa “reclamar”, no entanto. O “encantador de serpentes” nos faz contemporizar essas coisas que, de fato, são menores.

Próximo ao encerramento, lá estava aquele senhor me levando à lona novamente. “Golden Slumbers” (que, com “Carry That Way” e “The End”, formam a tríade final dos Beatles e do show) era a canção que eu quase sempre usava para ninar minha filha no colo. Momento de total desidratação paternal.

Paul McCartney me emociona todas as vezes. Dessa vez ele me nocauteou. Me trouxe emoções diferentes. Nos proporcionou um momento em família que eu jamais irei esquecer.

Rodrigo Melão

Rodrigo “Melão” Camargo é pai da Victória, tutor da Padmé e casado com a Cibele, não necessariamente nessa ordem. Beatlemaníaco, Corinthiano, cozinheiro de urgências, ávido consumidor de música, filmes e séries. Às vezes um cara legal, às vezes letal. Escreve semanalmente no Instagram @prazeresplasticos. Escreve também para o site URGE (urgesite.com.br). Trabalha no setor de Telecomunicações há 25 anos, mas formou-se em Comunicação Social, talvez no intuito de manter acesa sua vontade de escrever sobre suas paixões.

2 thoughts on “PAUL MCCARTNEY – GOT BACK TOUR

  • oi pai, ficou incrivel ta, te amo, obrigada vivs

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  • Julio Cesar Mauro

    Incrível relato melão!! Não vejo a hora da Laura começar a ir comigo.

    Que venha mais shows com pais e filhos juntos

    Resposta

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