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Paul Rodgers – Muddy Water Blues

Paul Rodgers é um dos grandes cantores de rock e blues de todos os tempos. Prestes a completar 74 no final deste ano, o homem é cheio de histórias para contar. Tem como destaques sua contribuição para a notoriedade de duas grandes bandas: Free e Bad Company, os projetos paralelos The Firm e The Law e a polêmica participação no Queen em 2008, isso claro, além da sua discreta, porém consistente, carreira solo.

       O destaque hoje vai para um álbum que completou 30 anos neste 2023 – “Muddy Water Blues – A Tribute to Muddy Waters”, onde Rodgers, em seu segundo disco solo, presta uma tremenda homenagem ao mestre, nascido em abril de 1913 e falecido em abril de 1983.   

       Em seu segundo disco solo Paul Rodgers resolveu montar uma banda de apoio de respeito, com Jason Bonham (bateria), Pino Palladino (baixo) e o guitarrista-base da banda de Bonham, Ian Hatton. Já estava bom, mas Rodgers, do alto de sua respeitabilidade, chamou também uma matilha de convidados especiais para executar as guitarras solo.

       E aí o disco vira um verdadeiro desfile de monstrinhos, conforme demonstrado a seguir.

       O álbum abre com uma música composta por Rodgers – “Muddy Water Blues” – em versão acústica, com participação de Buddy Guy, que aliás havia tocado com Muddy no começo de sua carreira, em gravações para o mítico selo Chess. Uma versão plugada irá fechar o disco, cerca de uma hora depois.

       A partir daí, guitarras endiabradas tomam conta dos ouvidos (corações e mentes) e somos levados para um pós doutorado em Blues de Chicago. “Louisiana Blues” tem Trevor Rabin; “I Can’t be Satisfied” é com Brian Setzer; “Rollin’ Stone” (que inspirou o batizado de uma certa banda britânica) é apimentada por um Jeff Beck, aliás reconhecível a quilômetros de distância e que também marca presença em “Good Morning Little Schoolgirl”.

       Paramos por aqui? Não! Steve Miller, David Gilmour, Slash, Gary Moore, Brian May, Neal Schon e Richie Sambora também atuam, cada um tentando firmar sua “assinatura” nessa verdadeira festa do blues.

       No meio desses “Globetrotters” da guitarra, Paul Rodgers gasta seus melhores drives, entregando interpretações carregadas de emoção e respeito.

       Há ainda participações dos organistas Ronnie Foster e Paul Shaffer, do gaitista Jimmie Wood, do pianista David Paich, dentre outros, tudo sob a batuta do produtor Billy Sherwood, aquele mesmo com passagens pelo Yes e Asia e que também toca percussão em todas as 15 faixas.

       Se você gosta de blues e guitarras (e geralmente essas coisas ocorrem de forma concomitante), esse é um disco que merece uma conferida absolutamente obrigatória.

       Para fechar, diz a lenda que quando Buddy Guy tocou a primeira vez para Muddy Waters ele ficou impressionado. Disseram ao mestre depois que aquele jovem estava sem comer há três dias.

       A partir daí a história se parte em duas versões. Há quem diga que Muddy forçou Buddy a comer alguns sanduíches de salame. Há quem diga que Buddy recusou os sanduíches porque ele acabara de conhecer o grande Muddy Waters e que isto o havia alimentado.

       Não importa a versão verdadeira, talvez até mesmo as duas coisas tenham acontecido. Mas, após ouvir este disco, a sensação é mesmo de ampla saciedade.

Foto por Kevin Winter

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

2 thoughts on “Paul Rodgers – Muddy Water Blues

  • Julio Cesar Mauro

    Isso sim é uma constelação de estrelas. Taloko

    Resposta

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