Discos

BRock Safra 83: Phodas “C”, 40 anos da estreia de Léo Jaime

Esta semana vamos celebrar os 40 anos de alguns grandes álbuns do pop-rock dos anos 80, com resenhas exclusivas. É o BRock Safra 83 aqui no VoD!


Léo Jaime. Eu me lembro de sempre tê-lo ouvido muito tocando nas rádios nos anos 80 e 90. O cara era um monstro (no bom sentido da palavra). E hoje quero falar um pouco sobre o seu disco de estreia, intitulado PHODAS “C”. Não se sabe bem ao certo a data, apenas que foi lançado em 1983 e foi vetado em dezembro daquele mesmo ano pela censura, por conta de seu título, que era uma piada com a linha de navios Linea C. Ele também teve uma música proibida de tocar nas rádios: era “Sônia“. Não vou entrar em detalhes, mas se vocês ouvirem-na irão entender o porque.

Léo Jaime era um nome em alta no começo dos anos 80. Ele havia integrado o grupo João Penca e seus Miquinhos Amestrados, mas quis alçar vôos mais altos e se lançou em carreira solo. Phodas “C” ainda tinha alguns resquícios de seu antigo grupo: havia humor escrachado e algumas versões de clássicos pop dos anos sessenta, como “Rock and Roll Music” de Chuck Berry. Além de interpretar, ele tocava guitarra e compunha, o que ajudaria muito sua carreira dali pra diante.

Ele também foi um descobridor. Foi dele a ideia de que Cazuza deveria fazer parte da banda Barão Vermelho. O disco é bem-humorado e, se você for analisar bem, ele segue uma linha lógica onde a sacanagem era parte importante desta imagem/concepção artística. A capa é inspirada nos melhores trabalhos da banda DEVO, com cores marcantes e cinco Léo Jaimes fazendo caretas. Se você der uma olhada no encarte, vai ver que ele era um cara que não se levava a sério (no bom sentido da palavra). Há fotos dele de sunga e quepe de marinheiro, aludindo, como eu falei, à Companhia de Navios Crosta Crociere que chamava-se “Linea-C“. Eles se chamavam assim pois acrescentavam a letra “C” a todos seus navios de luxo. Então, “Phodas-C” era um belo trocadilho e se encaixou perfeitamente ao que o artista pretendia naquele momento.

Foto: Encarte do disco


O disco tem bons momentos. Além de “Sônia“, que foi a música proibida e (pasmem), até hoje é a mais pedida de seus shows, há “Ora, Bolas!“, “Vem Ficar Comigo“, “É, Eu Sei” e, em plena ditadura militar o cara cantava uma música chamada “AIDS” (lembre-se que era uma doença recém descoberta, imaginem a repercurssão que deve ter sido).

Sem contar a super banda que gravou o disco: Leo Gandelman e Oberdan Magalhães (Black Rio, Tim Maia, Dom Salvador, Luiz Melodia) nos sax, Adriana Dollabela, Alice Pink Pank, Lobão e May East nos backing vocals (as mulheres fizeram parte da Gang 90 e Absurdetes), Mamão (Azymuth) e Picolé (Elis Regina, Fagner) tocando bateria, Wander Taffo (Radio Taxi, Taffo) na guitarra, Joni Galvão (Fagner) que tocou guitarra, bateria e percurssão, Randy Singer na harmônica, maestro Lincoln Olivetti nos teclados e bateria eletrônica, Laudir de Oliveria nas percurssões e Paulo Simas no piano e teclados. Timaço!

Há quem diga que este disco foi uma forçada de barra dentro da gravadora CBS. Alguns relatam que foi uma superprodução que não representava o verdadeiro Leo Jaime, por isso o disco não foi tão bem recebido assim. Fato que o disco foi um sucesso mediano, mas o suficientemente bom para que ele pudesse ter mais liberdade artística a partir do próximo disco, Sessão da Tarde.

Phodas-C está completando 40 anos de sua estreia e ainda surpreende pelo bom-humor e pela irreverência. Um disco que não teve a devida atenção. Léo Jaime é um artista muito talentoso. Ele merecia muito mais reconhecimento. Nunca é tarde!

Viva o BRock.

Foto da capa: Divulgação/Wikipedia.

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *