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Quella Vecchia Locanda

Para aqueles que me conhecem, sou um amante da música italiana, está no sangue. E quando junta música italiana e rock progressivo essa mistura só pode dar duas coisas para mim:

Premiata Forneria Marconi ou Quela Vecchia Locanda

Hoje vamos falar de Quella Vecchia Locanda. O álbum de estreia da banda é, sem dúvida, uma das joias do rock progressivo italiano, caracterizada por uma mistura vinda tanto do rock quanto do blues. Seu estilo não se encaixa estritamente no hard prog (esse é mais associado ao Metamorfosi, Biglietto, Museo Rosenbach), mas certamente, os integrantes da banda demonstram habilidade no rock, destacando-se os riffs de guitarra, uma bateria furiosa e linhas de baixo intensas ao longo do percurso, exibindo uma marcante influência à maneira da PFM, com uma profusão de elementos de violino e temas clássicos.

As canções são refinadas e executadas com uma precisão calorosa, proporcionando uma experiência auditiva envolvente, apresentando um magnífico trabalho de teclado, característico dos anos 70, harmonizado com a doce melodia da flauta, o vibrante som do violino e a habilidade excepcional na guitarra, definindo assim a identidade única do QVL. Ao se entregar a esse álbum, é inevitável que seus pés se movam em resposta às batidas contagiantes, enquanto suas mãos são conduzidas pela cativante musicalidade, estimulando reflexos motores.

A QVL integra interlúdios clássicos de peso em sua composição musical, oferecendo uma experiência repleta de transições temáticas envolventes e variações de ritmo. Adicionalmente, o álbum apresenta várias faixas de destaque, unindo o distintivo som subterrâneo italiano da década de 70 a uma fusão robusta de serenidade e beleza. Vale ressaltar que as expressivas vocalizações enriquecem ainda mais a experiência auditiva, proporcionando camadas texturizadas de harmonia.

O álbum tem um toque especial ao combinar elementos barrocos e romantismo, especialmente nas faixas Realta e Sogno, Risveglio E…, que encerram o disco de maneira encantadora. Esses detalhes ajudam a equilibrar o som, criando uma atmosfera de rock progressivo sinfônico que segue padrões conhecidos.

Quando se fala em influências, é justo mencionar o PFM, embora o QVL não deva ser visto como uma cópia. As vozes são importantes no repertório, mesmo com letras não tão abundantes. Os dois vocalistas, Giorgio Giorgi também flautista e Raimondo Cocco o guitarrista, se alternam bem, e o coral dá um toque entusiasmado. Donald Lax, no violino, se destaca, não apenas nas introduções clássicas, mas também complementando a guitarra em partes mais intensas, especialmente nas faixas Immagini Sfuocate e Verso La Locanda. Minhas faixas preferidas, quando se trata da interação entre os músicos, são as faixas Dialogo e Verso La Locanda.

QVL é uma verdadeira joia do rock progressivo italiano, embora com uma produção mais refinada pudesse ter destacado ainda mais suas qualidades. Apesar de que alguns arranjos poderiam ter mais consistência, no geral, é uma peça impressionante de música progressiva.

Este álbum não apenas consolida a posição do Quella Vecchia Locanda como um expoente do rock progressivo italiano, mas também serve como uma cápsula do tempo, capturando a essência musical única da época.

Julio César Mauro

Julio Mauro é um nerd, pai de duas meninas, chato e com TDA. Músico frustrado, 26 anos trabalhando na área de TI, conhecido pelas suas tiradas ácidas e seu mau-humor que nem todos gostam. Já foi co-host do programa Gazeta Games na Rádio Gazeta de Sao Paulo e tem como uma das suas maiores paixões a boa música.

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