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Quem é o Próximo?

“Who’s Next” é o quinto trabalho de estúdio do grupo, chegou ao primeiro lugar da parada britânica, além da quarta posição nos Estados Unidos, onde ultrapassou três milhões de cópias vendidas.

“Who’s Next” com certeza é uma das obras mais incríveis do rock, lançado em 1971, ele foi aclamado por críticos e fãs, frequentemente sendo considerado um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos.

Este álbum tem como origem um projeto ambicioso chamado “Life House”, idealizado por Pete Townshend, “Life House”, que seria a segunda ópera rock da banda, sucedendo “Tommy” (1969), que juntaria música, cinema e teatro. Mas devido à sua complexidade e de tensões internas na banda, o projeto foi abandonado e as melhores músicas foram então selecionadas e organizadas para compor “Who’s Next”.

Pete Townshend,  sempre buscando inovar, utilizou o sintetizador ARP 2600 em várias faixas, fazendo dele um álbum pioneiro no uso de sintetizadores. Uma das músicas que deixa isso bem em destaque é a famosa “Baba O’Riley”, que inicia com uma icônica sequência de sintetizador, tornando-se uma das introduções mais reconhecíveis do rock.

Uma história a parte sobre “Who’s Next” é sobre a capa do álbum, a caminho de um show, a banda juntamente com o fotógrafo Ethan Russell, fez uma parada em Easington Colliery, onde posaram ao lado de um imponente monumento de concreto.

A imagem sugere que os quatro membros da banda — Roger Daltrey, Pete Townshend, Keith Moon e John Entwistle — haviam urinando no monumento, dada a mancha úmida visível na estrutura. Posteriormente, Ethan Russell revelou que nem todos conseguiram urinar ali. Para alcançar o efeito visual desejado, ele utilizou água de chuva mesmo.

A capa do álbum é aberta a diferentes interpretações. Enquanto uns veem como uma expressão de desafio às estruturas de poder e à rigidez social que o monólito poderia representar, há aqueles que a percebem como reflexo do humor singular pelo qual o grupo é reconhecido. Independentemente da visão, é indiscutível que a sinergia entre as faixas do álbum e sua capa o posicionam como um marco na trajetória do rock, eternizando o espírito e o período vivenciado pela banda.

Uma das ideias anteriores para a capa do disco era controversa, incluíram a possibilidade de exibir várias mulheres obesas nuas ou Keith Moon vestindo lingerie, peruca e empunhando um chicote. E de fato esta última imagem pode ser encontrada no encarte do CD remasterizado lançado em 1995.

O álbum originalmente tinha apenas um disco com 9 faixas. 5 faixas no lado A e 4 faixas no lado B, totalizando maravilhosos quase 43 minutos e 29 segundos de música.

Lado A:

  1. “Baba O’Riley”: Uma faixa icônica que começa com um padrão de sintetizador e se transforma em um rock poderoso. A canção é uma homenagem a dois influentes ícones da época de Townshend: Meher Baba e Terry Riley. O refrão “teenage wasteland” é amplamente reconhecido.
  2. “Bargain”: Uma canção de amor dedicada a Meher Baba, apresentando um riff de guitarra cativante e a poderosa voz de Roger Daltrey.
  3. “Love Ain’t for Keeping”: Uma faixa acústica mais suave, com um tom mais relaxado e letras que falam sobre o amor e sua efemeridade.
  4. “My Wife”: Escrita e cantada pelo baixista John Entwistle, esta faixa tem um tom humorístico e apresenta uma mistura de instrumentos de sopro.
  5. “The Song Is Over”: Uma balada melódica com uma bela combinação das vozes de Daltrey e Townshend.

Lado B:

  1. “Getting in Tune”: Uma música sobre a busca de Townshend por clareza e conexão através da música.
  2. “Going Mobile”: Uma canção animada sobre a liberdade da vida na estrada, com destaque para a guitarra acústica.
  3. “Behind Blue Eyes”: Uma das canções mais famosas do The Who, é uma balada introspectiva sobre solidão e angústia.
  4. “Won’t Get Fooled Again”: Outra faixa icônica, é uma poderosa declaração política e social, com uma das mais reconhecidas performances de órgão e um grito final de Daltrey que se tornou lendário. Embora a música seja frequentemente interpretada como um hino de rebelião, Pete Townshend esclareceu que é mais sobre a realização cínica de que, apesar das revoluções e mudanças, muitas vezes os novos regimes acabam se tornando tão corruptos quanto os antigos.

Na edição remasterizado em CD, incluíram mais 7 músicas:

  1. “Pure and Easy”
  2. “Baby Don’t You Do It”
  3. “Naked Eye”
  4. “Water”
  5. “Too Much of Anything”
  6. “I Don’t Even Know Myself”
  7. “Behind Blue Eyes”

“Baby Don’t Do It” tornou-se popular em sua versão de Marvin Gaye, de quem o Who era fã no começo de sua carreira e é a mais conhecida das músicas extras.

Mas o destaque fica mesmo para a edição de luxo desse álbum, que além do disco original sem as faixas bônus e masterizado na metade da velocidade, conta com um disco contendo o show completo no Old Vic Theatre, onde podemos ver toda a energia do The Who nas suas apresentações ao vivo.

Foi recentemente divulgado um box-set de luxo do álbum, que inclui “Who’s Next” e conteúdo do projeto “Life House”. Esse box traz 10 CDs e um Blu-ray com um total de 155 músicas, sendo que 89 delas são lançamentos oficiais inéditos.

Dentre os CDs, dois são nomeados como “Pete Townshend’s Life House Demos 1970-1971”. Além disso, há gravações das sessões no Record Plant de 1971, mixagens diferentes e performances ao vivo realizadas no Young Vic em Londres e no Civic Auditorium em São Francisco. Acompanhando, há um livro encadernado com 100 páginas, apresentando uma introdução de Townshend e textos dos autores Andy Neil e Matt Kent, renomados conhecedores da banda.

Julio César Mauro

Julio Mauro é um nerd, pai de duas meninas, chato e com TDA. Músico frustrado, 26 anos trabalhando na área de TI, conhecido pelas suas tiradas ácidas e seu mau-humor que nem todos gostam. Já foi co-host do programa Gazeta Games na Rádio Gazeta de Sao Paulo e tem como uma das suas maiores paixões a boa música.

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