Histórias

RANDY RHOADS: a vida, a obra e o trágico acidente [Documentário]

Vinte e cinco anos, esse foi o tempo necessário para que um jovem guitarrista deixa-se sua marca na história do rock e do Heavy Metal

Randy Rhoads, o loiro franzino que empunhava sua guitarra como ninguém nos deixou no dia 19 de março de 1982 em decorrência de um trágico acidente de avião.

Sua morte foi um baque para o mundo da música, do rock e do heavy metal, mas foi ainda mais sentida pelo príncipe da escuridão Ozzy Osbourne.

Rhoads era conhecido pelo seu jeito único de tocar, possuía uma habilidade no instrumento como poucos e um personalidade musical que ficava evidente enquanto empunhava as 6 cordas.

Membro fundador do Quiet Riot mas teve sua genialidade reconhecida nos dois primeiros trabalhos de Ozzy Osbourne, Blizzard of Ozz de 1980 e Diary of Madman de 1981.

Com esses discos o mundo ficou estarrecido com sua maneira de tocar, assim como se chocou com no dia do trágico acidente de avião que levou a sua morte.

A verdade é que apesar de sua morte prematura, Randy Rhoads deixou um legado duradouro no mundo da música. Seu talento e dedicação à guitarra inspiraram inúmeros músicos e sobre a sua história que vamos falar no vídeo de hoje do disconecta plus

Infância Adolescência e Quiet Riot

Randall William Rhoads nasceu em uma família de músicos em Santa Mônica, Califórnia, em 6 de dezembro de 1956.

Desde cedo, mostrou interesse pela guitarra. Com o apoio do pai, que era músico profissional, Randy começou a estudar e frequentar a Musonia School o f Music, fundada por sua mãe, onde iniciou e aprendeu a tocar violão e piano aos 7 anos de idade.

Delores Rhoads, mãe de Randy Rhoads, era uma renomada professora de música exigente e rigorosa, e Randy passou muitas horas praticando e aprimorando suas habilidades musicais na escola. Ela o ensinou a teoria musical, harmonia, leitura de partituras e outras técnicas de música clássica, que se tornaram fundamentais em sua carreira como guitarrista.

Além da dedicação na escola da mãe, Randy também estudou violão flamenco e música clássica na California State University, Northridge.

Até sua chegada a banda de Ozzy Randy passou por diversas bandas locais nos anos 70 entre elas Quiet Riot em 1975.

Rhoads foi co-fundador junto com o vocalista Kevin DuBrow e o baixista Kelly Garni adicionando na sequência o baterista Drew Forsyth.

A banda se apresentou em clubes locais em Los Angeles, Califórnia abrindo para diversas bandas como Xciter, London e Van Halen, e só conseguiu contrato anos depois com a Columbia por onde lançaram seus discos com foco no Japão, tentando assim uma carreira internacional. E assim lançaram o auto-intitulado Quiet Riot e o II em 1977 e 1978 respectivamente.

As brigas internas entre o baixista Kelly Garni e o vocalista Kevin Dubrow desanimaram Randy Rhoads não vendo futuro na banda.

E foi por volta deste período que soube que Ozzy, então saído do Black Sabbath, estava procurando músicos para compor sua própria música.

A parceria com Ozzy Osbourne

Há muita história controversa sobre a entrada de Randy Rhoads e o encontro com Ozzy, tudo isso se deve ao fato de Ozzy se encontrar em uma fase não muito boa de sua vida.

Estava sempre drogado, seja pelo álcool ou outros aditivos que criaram uma confusão mental e muitas vezes fizeram confundir passagens de sua própria vida.

Entre as lendas mais divulgadas está no fato de Ozzy ter recebido o garoto franzino em seu quarto de Hotel querendo inclusive achincalhá-lo devido a sua petulância de querer tocar pra ele naquela situação e após Ozzy já ter ouvido muito guitarristas da cena de Los Angeles e arredores.

Mas a verdade é que Randy foi convencido pelo baixista Dana Strum que na época havia abandonado a banda local BadAxe e que fazia parte da mesma cena de Quiet Riot.

Rhoads mostrava um certo desinteresse em fazer essa audição, mas com agenda marcada para o estúdio junto com Strum, ele foi. Chegando lá, Ozzy estava completamente chapado e adormeceu em uma sala de controle do estúdio.

Após retornar a Musonia, a escola de música de sua mãe, ele relatou ao amigo Rudy Sarzo que mais tarde se juntou a banda de Ozzy que ele se quer conhecer Mr. Madman.

Isso porque o príncipe das trevas não saiu da sala de controle do estúdio, desta maneira, quem deu a notícia de que ele havia conseguido o emprego, foi o baixista Strum que havia entrado para falar com Ozzy.

A questão da confusão mental de Ozzy sobre os depoimentos de como contratou é que Rhoads no outro dia após o ensaio foi se encontrar com Ozzy no hotel.

Nos anos seguintes, Osbourne afirmou que seu primeiro encontro com Rhoads e a audição subsequente ocorreram no dia seguinte no hotel, e parece que, em seu estado de embriaguez, ele combinou os dois eventos em sua mente.

Logo em seguida Ozzy retornou a Inglaterra e começou a ensaiar com outro guitarrista, juntamente com baixista Bob Daisley, porém ele estava insatisfeito com o guitarrista com quem estavam trabalhando inicialmente, Osbourne mencionou a Daisley que recentemente conheceu um jovem e talentoso guitarrista em Los Angeles chamado Randy Rhoads.

O agente do novo grupo de Ozzy queriam que fosse todos artistas britânicos e estavam relutantes em colocar Rhoades na banda, porém acabou cedendo e dessa forma Rhoads voou para a Inglaterra.

Nessa trip, ele foi rejeitado pela alfândega inglesa no aeroporto de Heathrow por não ter a permissão de trabalho necessária.

Um representante do selo que Ozzy havia assinado contrato, a Jet Records foi enviado para esclarecer o assunto, mas ele nunca chegou, e Rhoads passou a noite em uma cela antes de ser algemado e colocado em um avião de volta aos Estados Unidos no dia seguinte.

Na sequência Ozzy ligou para Randy para se desculpar e ajustar a documentação para que Randy voltasse à Inglaterra.

E assim começaram a preparar as músicas para o que viria a ser os dois grandes álbuns do loiro franzino que mudaria o heavy metal para sempre

Blizzard of Ozz e Diary of Madman

Randy Rhoads foi tão importante para Ozzy que impossível não dizer que suas guitarras não moldaram musicalmente a carreira toda de Mr Madman.

Logo no primeiro álbum já surgiram clássicos como Crazy Train e Mr. Crowley e as poderosas I don’t Know e Suicide Solution.

Mas as gravações do disco foram um desafio para Rhoads, mesmo Ozzy declarando anos mais tarde no release de reedição de Blizzard of Ozz que as gravações foram uma diversão e que ele e a banda não tinham nada a perder, a verdade é que já havia um contrato com a Jet Records.

As gravações começaram em janeiro de 1980 no Ridge Farm Studio, no Reino Unido, e duraram cerca de seis semanas.

Mesmo com a pressão Randy Rhoads arrepiou nas gravações impressionando todos com sua técnica e sua abordagem única para a música foi fundamental para o som do álbum e contribuiu para a criação de um clássico do heavy metal.

A conexão musical entre o guitarrista, o vocalista e os músicos Bob Daisley e Lee Kerslake ajudou para que no final tudo saísse perfeito, trabalhando juntos em arranjos, melodias e letras e improvisando muito até encontrar o formato que ouvimos hoje no álbum.

E hoje nós podemos dizer que Blizzard of Ozz é um clássico do heavy metal.

Musicalmente falando, Ozzy apresentou algumas ideias trabalhadas com o guitarrista anterior, então Rhoads sugeriu iniciar do zero as composições para o álbum. Na parte lírica, Ozzy teve a contribuição de Daisley.

O disco alcançou ótimas posições, o single Crazy Train alcançou a 7° posição nas paradas britânicas, nos Estados Unidos o álbum chegou a 21 posição da Billboard.

Na estrada, a turnê de divulgação de Blizzard of Ozz foi um grande sucesso passando por países como Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Austrália.

E ao vivo Randy Rhoads parecia em casa demonstrando como poucos sua habilidade com o instrumento, sendo elogiado por sua performance, seus solos virtuoses e ao mesmo tempo com muito feelings se tornaram marcantes nos shows.

Como de praxe, naquela época após o fim de uma turnê, as bandas já entravam novamente no estúdio e com Ozzy não foi diferente.

Diary of Madman, o segundo e derradeiro disco de Randy Rhoads com o príncipe da escuridão foi ainda mais colaborativo.

O loiro franzino foi mais ativo nas criações das músicas do álbum apresentando músicas como “Flying High Again”, “Over the Mountain” e a faixa-título.

Mesmo com as tensões nos bastidores entre Ozzy e Daisley que aqui contribuiu ainda mais com as letras e Kerslake que trouxe mais complexidades e originalidade as partes de bateria, Diary of Madman foi outro álbum certeiro e é considerado por muitos um dos melhores álbuns da carreira de Ozzy.

Infelizmente a situação entre os três, Ozzy, Daisley e Kerslake ficou insustentável e assim tanto o baixista quando o baterista foram desligados da banda após as gravações.

Foi nesse clima tenso que a turnê de Diary of Madman iniciou com dois novos membros na banda, o baterista Tommy Aldridge e Rudy Sarzo no baixo.

E por infelicidade do destino, foram realizados apenas 4 shows na tour.

Trágico acidente

O dia 19 de março de 1982 vai ficar marcado para a história do rock como uma dos episódios mais tristes para os fãs do estilo.

Ozzy Osbourne e sua banda viajavam de ônibus a caminho de Orlando, quando fizeram uma parada em Leesburg, durante a noite, para consertar um aparelho de ar condicionado do veículo.

Ao amanhecer, o motorista do bus Andrew Aycock, que tinha uma licença de piloto de aeronaves vencida, resolveu pegar sem autorização uma das aeronaves que estava na propriedade.

Um pequeno avião disponível no local, modelo Beechcraft Bonanza F35, voou duas vezes com Aycock como piloto sem permissão!

No primeiro voo, Aycock levou o tecladista Don Airey e o empresário da turnê Jake Duncan como passageiros.

Aycock foi imprudente desde a primeira partida, querendo acordar os membros da banda que estava dormindo dentro do tourbus, deu um rasante.

Já no segundo voo com Randy Rhoads e a maquiadora Rachel Youngblood a bordo a história foi outra.

Aycock continuou com seus rasantes, nas duas primeiras investidas deste voo foram bem sucedidas.

Porém, na terceira tentativa, o mergulho do avião foi fatal, por volta das 10h da manhã do dia 19 de março de 1982, após 5 minutos no ar, uma das asas do avião se colidiu com o teto do ônibus da banda fazendo girar fora de controle batendo no topo de uma árvore caindo na garagem da mansão próxima explodindo em chamas.

E assim chegava ao fim a história de um dos grandes guitarristas do heavy metal de apenas 25 anos.

Randy já era uma realidade mas qual seria o seu futuro com uma vida promissora pela frente, nunca saberemos.

Mas a verdade é que perdemos um ícone muito, mas muito jovem.

Marcelo Scherer

Jornalista, fundador do Disconecta, do Canal Disconecta no Youtube e colaborador do coletivo Vira o Disco.

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