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Recipe for Hate, 30 anos!

Maturidade. Essa é a palavra que as bandas utilizam quando querem dizer que estão se tornando populares. É engraçado pensar que essa palavra se torne um eufemismo. E em se tratando do Bad Religion, esse substantivo ganha força e explico: os fãs ficaram divididos, uns acharam que isso era meio que uma progressão musical (a tal maturidade) e outros achavam que eles haviam se vendido pro sistema.

E isso é fácil de explicar, em meados dos anos 90 muitos adolescentes achavam que Punk era sobre tocar rápido e agressivo, usando letras de confronto por no máximo 30 minutos. Vamos pensar em NoFX, Penniwise, Minor Threat. E ainda havia o Bad Religion, uma banda capaz de escrever músicas rápidas e raivosas que, de alguma forma, eram ainda mais melódicas e cativantes.

E para aqueles adolescentes, o Bad Religion representava todas as coisas que eles pensavam que o punk deveria ser. Então eles lançam Recipe for Hate. Pense em como estes adolescentes devem ter se sentidos traídos. “Se venderam pro sistema”, não é assim que comentam por ai? Acho que, musicalmente falando, as circunstâncias que levaram ao seu lançamento meio que explicam muita coisa: a banda havia assinado com uma grande gravadora, então ela fez o que pode pra vendê-los como uma banda alternativa. Lembre-se, eles eram do Underground, respeitados na cena hardcore, tinham uma boa base de fãs e Brett Gurewitz, guitarrista, que saiu após o álbum seguinte, já tinha seu próprio selo, lançando muita banda, inclusive o próprio Bad Religion.

É deste disco o hino anti-establishment “American Jesus“, talvez o seu maior sucesso comercial e “Watch it Die” que, de quebra, ainda contavam com a participação especial de Eddie Vedder e com vocais impressionantes de Johnette Napolitano da banda Concrete Blonde em “Struck a Nerve“.

Não fosse por Recipe for Hate talvez Dookie do Green Day não tivesse tido tanto apelo comercial e não tivesse explodido mundo afora. Se você me perguntar “qual disco você recomendaria pra eu começar a ouvir Bad Religion” eu nem pensaria duas vezes.

Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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