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Resenha – “Genesis BBC Broadcasts” (Parte 3)

A última parte do CD 3 da caixa “Genesis BBC” é composta por “Mama” e “Domino” músicas extraídas de um show em Wembley, transmitido pela rádio em 04 de julho de 1987.

         O trio Collins-Banks-Rutheford havia então lançado os multi-platinados “Genesis”, em 1983 e “Invisible Touch”, em 1986, dois discos que juntos já venderam quase 14 milhões de cópias até hoje. Cinco singles de “Invisible”, chegaram ao Top Five da parada Billboard’s Hot 100, sendo a primeira vez que isso ocorreu com uma banda, segundo o livrinho que acompanha o box.

         Assim, o repertório do show de Wembley não podia ser baseado em outros álbuns. Segundo Tony Banks, era hora de aproveitar aquele sentimento, pois o sucesso da banda nunca seria maior. O CD 4 está recheado de hits para atiçar a memória de quem viveu os anos 80. Aliás, muitos ouvintes casuais só irão reconhecer “este” Genesis, ou seja o de “That’s All”, “Home By The Sea”, “Invisible Touch” e “Throwing It All Away”.

         Phil Collins passa uma segurança enorme ao alterar com facilidade a forma de cantar algumas notas (especialmente em “That’s All”) e interagir “freddiemercuriamente” com a plateia em “Throwing It All Away”. A banda, com os já citados Stuermer e Thompson, está tocando uma barbaridade. Interação telepática em músicas que, em geral, não são fáceis de tocar. Além disso, conseguem reproduzir a miríade de timbres oriundos dos estúdios recheados de canais dos anos 80, ainda que fazendo uso de alguns sons pré-gravados, o que fica claro em “Invisible Touch”.

         Cheios de moral, o grupo executa longos temas instrumentais, como “The Brazilian” e “Second Home By The Sea” (está bem, está bem… “Second” não é 100% instrumental, só os primeiros cinco minutos). O dueto de bateria entre Collins e Thompson está lá e introduz “Los Endos”, faixa do disco “A Trick Of The Tail”, provavelmente uma das músicas preferidas do Genesis e que estava também no repertório da turnê europeia de 2007.

         O CD quatro termina com duas músicas conduzidas pelo vocalista Ray Wilson – “Not About Us” e “Dividing Line”. Em março de 1996 Phil Collins deixou o grupo. Rutheford e Banks decidiram seguir com o Genesis e em junho de 1997 anunciaram o escocês Wilson, então com 29 anos, mais ou menos então a mesma idade do grupo.

         Infelizmente o disco da nova formação – “Calling All Stations” – lançado ainda em 97 – não foi bem. O single “Congo” chegou somente ao 29º lugar nas paradas do Reino Unido. A crítica massacrou: uma estrela e meia de cinco possíveis no All Music, meia estrela de quatro possíveis no Chicago Tribune e assim por diante. “Calling…” sequer consta da lista de discos do Genesis no Spotify.

         “Dividing Line” é uma faixa interessante, com um belo trabalho de bateria do israelense Nir Zidkyahu. Nas liner notes Michael Hann afirma que a música é um épico tenso e dramático, cuja agressão e força sugerem que esta formação poderia ter esculpido sua própria identidade. No mínimo, temos duas curiosidades capazes de dividir as opiniões mesmo de fãs mais radicais.

         Na próxima e última parte da nossa série, falaremos do quinto e último CD da caixa.

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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