Discos

Scorpions – “Taken By Force” – Dezembro de 1977

Nos dias de hoje, quando ouvimos uma banda considerada “hard” nos anos 70, temos que olhar com a perspectiva e distância necessárias. Esses caras eram realmente “pesados”. Não é recomendável tecer comparações com os grupos de “metal” surgidos nos últimos 30 anos. As técnicas de execução, timbragem, captação, amplificação, gravação e etc., são completamente distintas.

Os alemães do Scorpions encontram-se nessa primeira categoria. Um dos grupos mais queridos dos primeiros anos do heavy metal. Mas, se formos colocar lado a lado com bandas mais modernas, por exemplo, existem faixas dos Smashing Pumpkins infinitamente mais barulhentas. Nem estamos falando de Sepultura e outros. Então, melhor esquecer…quando for escutar um grupo dos anos 70, certifique-se que seus preconceitos serão deixados de lado e a banda será admirada pelo que representou naquele momento. Além disso, lembre-se que se tratam de grupos pioneiros, sem os quais, talvez não existissem Slayers e quetais.   

Aí é relaxar e se divertir. E um dos muitos grandes álbuns do Scorpions, recentemente, fez aniversário. Então aproveitem. Estamos falando do quinto disco do grupo, “Taken By Force”, lançado em dezembro de 1977, produzido pelo lendário Dieter Dierks.

Primeiro LP com o baterista Herman Rarebell (que ficou na banda até 1996) e último disco do guitarrista Uli Jon Roth, considerado discípulo de Jimi Hendrix, o disco tem outra interessantíssima conexão com o falecido mestre da guitarra.  

Ocorre que logo após o arrasa quarteirão “Steamrock Fever”, que abre os trabalhos, uma das músicas mais queridas dos fãs de primeira hora da banda, Klaus Meine empresta seu belo e inconfundível vocal para um poema escrito por Monika Dannemann (“We’ll Burn The Sky”), musicada pelo guitarrista Rudolf Schenker.

Monika, durante muito tempo, foi conhecida por ser a “viúva de Jimi Hendrix”, auto-intitulação que aliás foi levada aos Tribunais, gerando uma decisão judicial negativa para Monika em abril de 1996, o que provocou seu suicídio dois dias depois.  

“I’ve Got To Be Free” é a cara de Uli Jon Roth e qualquer fã de Hendrix irá perceber a influência nos arranjos engendrados pelo alemão e nos sons extraídos de sua guitarra. Após sua saída da banda, esta forma de escrever, presente em algumas músicas do disco anterior, “Virgin Killer”, em que Uli inclusive cantava, tais como “Polar Nights”, ficou para trás.   

Fechando o Lado A, temos a impressionante “The Riot of Your Time”, com violões que lembram The Who abrindo a faixa e solos excelentes de Schenker e Roth. Efeitos especiais pulam de todo lado e há que se ressaltar o excelente trabalho da cozinha na mão do novo batera e do baixista Francis Buccholz.

“The Sails of Charon” inaugura o Lado 2 com um groove matador e solos que podem ter inspirado jovens como Eddie Van Halen e Steve Vai. A letra trafega por caminhos místicos e o arranjo tem algo de prog, com o vocalista Klaus Meine atingindo agudos dignos de um Rob Halford.

A longa “Born To Touch Your Feelings” segue na mesma linha viajante, com grande lirismo e dramaticidade e uma linda coda, com várias vozes femininas falando em idiomas distintos, fechando o álbum.

Destaque ainda deve ser dado a uma das preferidas dos shows e para versões de outras bandas, a (essa sim!) pesada e fabulosa “He’s a Woman, She’s a Man”, com uma letra que sempre gerou grande controvérsia – algo de que o Scorpions nunca teve medo.

Se você quer entender de onde veio o heavy metal, jamais deixe o Scorpions de lado.

Fotografia da Capa: Michael Von Gimbut – extraída do site www.cuarteldemetal.com.

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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