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St. Anger, 20 anos! Será que ele passou ao teste do tempo?

Em 2003 o Metallica já era a maior banda de metal do mundo. Seus números eram impressionantes. Se aquela altura eles quisessem ter parado, tranquilamente poderiam. E isso quase aconteceu, de fato.

Vamos fazer um breve retrospecto: 1991 a banda lança o Black Album, onde os mais puritanos já torceram o nariz. A produção ficou a cargo de Bob Rock, que já havia produzido Motley Crüe e The Cult. Anos mais tarde a banda aparece com novo visual, cabelos cortados e, mais uma vez, os puritanos (aqueles que já haviam torcido o nariz em 91), agora torceram em dose dupla: Vieram Load e Reload. Pra essa turma a banda havia se vendido ao mainstream.

Ai em 2003, após um período turbulento, de caos, o oitavo álbum da banda era lançado. Após passarem por um período intenso de exame de consciência, turbulência emocional e o tal “bloqueio criativo” a banda entra em estúdio, novamente com Bob Rock para gravar St. Anger. E nesse meio tempo, ainda teve a saída de Jason Newsted e a procura por outro baixista.

Quando finalmente St. Anger foi lançado foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado nos fãs. Não nos esqueçamos dos puritanos. O resultado? Um dos álbuns mais divisivos da história do metal. Houveram muito mais reclamações (até hoje) do que elogios. E eu entendo essa comoção, os caras ficaram esperando que a banda soasse como antigamente, o que é perfeitamente normal.

Mas a banda quis pensar pra frente. No texto sobre a banda Bad Religion eu usei a palavra “eufemismo” para exemplificar a tal “maturidade” da banda. Porém, essa maturidade (talvez) veio no pior momento pra eles.

No documentário Some Kind of Monster você consegue sentir a tensão no ar, o clima fica pesado, denso. Era isso que eles estavam passando. E a banda quase chegou às vias de fato, pois James Hetfield havia se internado em uma clínica de reabilitação, então isso explica muita coisa.

Particularmente eu gosto do disco, acho que ele tem muitos bons momentos, apesar da produção errônea de Bob Rock e o que mais incomoda é o som da caixa de bateria. Talvez, e eu disse talvez, se ela tivesse sido mais bem produzida, o disco não tivesse sofrido tanto. Eu gosto desse disco, das afinações mais baixas, dos riffs, de não haver solo em algumas músicas, gosto dessa cacofonia em torno do disco. E, principalmente, eu enxergo nesse disco o tal “amadurecimento”. Acho que eles precisavam passar por isso pra dar o próximo passo. Hetfield credita a raiva como o impulso criativo por trás de grande parte deste álbum, e é fácil perceber a insolência e a fúria que brotam de sua superfície.

E St. Anger, apesar dos pesares, é um disco bom sim.



Luis Fernando Brod

Oi. Sou o cara do MINHA VIDA EM VINIL e colaborador do site Disconecta.

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