Discos

Synchronicity, 40 anos

No dia 1º de junho de 1983, chegava às lojas nos EUA o derradeiro álbum do The Police, Synchronicity.

Boa parte das canções do disco foram escritas na chamada Golden Eye, a antiga casa do escritor (e criador de James Bond) Ian Fleming na Jamaica. Sting passava pelo fim de seu casamento com Frances Tomelty, enquanto a Inglaterra lutava com a Argentina pelas Malvinas.

Ao mesmo tempo, o vocalista lia Arthur Koestler, cujo trabalho já havia batizado o disco anterior, e que levou Sting a Carl Jung: o título do álbum se refere ao conceito de “coincidência significativa”, a tal sincronicidade, palavra usada para definir acontecimentos coincidentes sem uma ligação aparente ou explicação racional, porém, que possuem sentido para quem está observando.

O conceito de sincronicidade é explorado por Koestler em seu livro “The Roots of Coincidence” (As Raízes do Acaso), publicado em 1972. Ali, Koestler examina a natureza dos fenômenos coincidentes e argumenta que eles podem ser explicados por uma “matriz invisível” que conecta eventos aparentemente independentes. Essa ideia se relaciona com a noção de sincronicidade de Jung, que sugere que coincidências significativas podem ocorrer como resultado de uma conexão subjacente entre a mente humana e o mundo externo.

Além do nome do álbum, em Synchronicity também temos o tema sendo tratado em algumas das letras. Obviamente nas faixas-título, mas também em “King of Pain”, onde imagens estranhas ou angustiantes (a mancha no sol, a borboleta na teia de aranha, a raposa na armadilha do caçador) servem de relação com a dor pessoal.

O disco também conta com outros com acepipes saborosos como “Wrapped Around Your Finger” e as menos lembradas “Tea In The Sahara” e “Walking on your Footsteps”. E, é claro, é o disco de “Every Breath You Take”, a música sobre stalker mais famosa do mundo.

No dia 23 de julho daquele 1983, Synchronicity desbancava Thriller, do Michael Jackson, e a trilha sonora de Flashdance, chegando ao topo da Billboard, de onde só saiu em meados de novembro. O álbum chegou ao primeiro lugar também na parada britânica, vendeu cerca de 11 milhões de cópias e está em diversas listas de melhores da década e da história do rock.

Filipe Silva

Metade do Prisioneiros do Rock

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *