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The Pretenders – desafiando o tempo nestes anos 20

Quem esteve em 24 de fevereiro de 2018 no Allianz Parque, em São Paulo, para assistir ao show de Phil Collins com a abertura dos The Pretenders, saiu de lá certamente com várias impressões. Mas uma coisa que deixou todo mundo feliz foi ver a vitalidade do opening act, sendo inevitáveis as comparações entre a já preocupante condição do ex-vocalista do Genesis e a saltitante e aparentemente incansável Chrissie Hynde, ambos nascidos no mesmo ano – 1951 – com poucos meses de diferença.

De fato, embora Collins fosse a grande atração da noite, os hits certeiros entoados por Chrissie e seus asseclas, inclusive o veterano baterista Martins Chambers, em pouco mais de uma hora de show, foram um espetáculo à parte. “Back On The Chain Gang”, “Don’t Get Me Wrong”, “Stop Your Sobbing”, “I’ll Stand By You” e “Middle Of The Road”, dentre outras, foram encadeadas uma após a outra, dando aos fãs dos anos 80, tal como o autor deste texto, aquela vontade de dar uma boa pesquisada e ver o que a banda vinha aprontando nos últimos anos.

Porém, não havia tanta coisa assim. Discos em 2002, 2008 e 2016, todos merecedores de respeito, afinal a banda foi formada no distante ano de 1978 e, só o fato de estar em atividade, deve ser motivo para comemoração.

Mais recentemente, no entanto, no que podemos chamar de anos 20, década em que certamente Chrissie deve estar preparando sua despedida, a produção parece que poderá aumentar e já temos um disco em 2020 e um novo single neste ano de 2023, antecedendo um novo lançamento. Há uma certa urgência pela proximidade da inevitável aposentadoria? Só o tempo dirá.

Por enquanto, vamos nos divertir. “Hate For Sale”, disco de 2020 é tudo que os admiradores do trabalho dos Pretenders esperam. As influências de sempre estão todas lá. Rock and roll na veia na faixa título, em “Turf Accountant Daddy” e “I Didn’t Know How To Stop”; aqueles climas meio 60’s e 70’ de “The Buzz”, “Maybe Love Is In NYC” e “Didn’t Want To Be This Lonely”; reggae e dub em “Lightning Man” e a baladona “You Can’t Hurt a Fool”. Dez canções em pouco mais de trinta minutos de muita maturidade. Um grande disco.

E essa semana, apenas 3 anos depois, um novo single invade as plataformas de streaming, como promessa de disco novo ainda este ano. “Let The Sun Come In”, conquista o ouvinte desde o riff inicial e tem refrão irresistível, com Chrissie atingindo uma nota alta, com uma firmeza incomum para uma senhora de 71 anos.

Um detalhe: o disco novo, “Relentless”, prometido para setembro, terá sido todo escrito por Chrissie e pelo guitarrista James Walbourne, o que já aconteceu em “Hate For Sale”. Além do mais, há a previsão de uma faixa com cordas arranjadas por Jonny Greenwood, da banda Radiohead. Se é você daqueles que compra a mídia física, abra espaço na sua prateleira.

Cristian Fetter

Cristian Fetter Mold é gaúcho mas mora em Brasília desde 1991. É advogado e professor na área de Direito de Família e Sucessões. Coleciona música em mídia física, desde os 12 anos de idade, especialmente Rock dos anos 50 a 90 e, em menor escala, Jazz dos anos 40 aos 70. É um dos criadores do Podcast "Prisioneiros do Rock" e às vezes se mete a formar bandas.

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