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The Wild Feathers – Lonely Is A Lifetime (2016)

A linda capa de Lonely Is A Lifetime, da banda de Nashville The Wild Feathers

The Wild Feathers é uma banda de Alt Country de Nashville, no Estado do Tennessee, formada em 2010.
Confesso que não conhecia essa banda até pouquíssimo tempo atrás: numa busca aleatória por Crosby+Stills+Nash+Young, me deparei com um cover deles para “Almost Cut My Hair” (originalmente no magnífico Deja Vu, do CSNY, de 1970). Ok, o cover nem é lá tudo isso, mas achei corajoso uma banda reviver o “dilema hippie” de David Crosby em pleno 2020. 
Resolvi saber mais sobre a banda e escolhi aleatoriamente o álbum “Lonely Is A Lifetime”, de 2016.
Fui conquistado na primeira audição.

Sou fã do estilo. Nos anos 90, ouvia bandas como Camper Van Beethoven, Whiskeytown, Uncle Tupelo, e delas surgiram bandas que ouço até hoje, como o Cracker, o Ryan Adams e, claro, o Wilco. Além disso, o Alt Country bebe diretamente na fonte do Country Rock de Derek And The Dominos, Stephen Stills’ Manassas, Neil Young, The Byrds e por aí vamos.

O produtor do álbum é Jay Joyce, que havia trabalhado com nomes tão díspares quanto Tin Finn (irmão de Neil Finn, e ambos do Crowded House), (a banda de metal progressivo) Coheed And Cambria e Cage The Elephant. Mas também trabalhou com nomes importantes do country e do alt country, como Emmylou Harris e The Wallflowers (aliás, o Wild Feathers, com seu primeiro álbum chegou abrir shows do Bob Dylan. Falo disso logo mais).

Foto: Jasper Colt Fone: USA Today

O álbum abre com “Overnight”, uma canção mais pop do que rock, mais rock do que country, e que tem ótimos solos de guitarras e um crescendo vocal nos refrões que conquista já na primeira audição. Segue-se com “Sleepers”, uma canção que te transporta imediatamente para um algum lugar etéreo, habitado num breve momento por Snow Patrol ou Coldplay, da época em que faziam música aceitável. Além disso, as guitarras ruidosas estão lá, os ganchos certeiros, as pontes açucaradas entre estrofes e refrãos.

Já em “Goodbye Song”, aí sim! Coloque um matinho no canto da boca, calce uma bota. Somos transportados para um ambiente caipira, sulista, mas marginal e cheio de picardia juvenil. A música tem uma melancolia a lá Neil Young setentista, e isso me arrebatou de cara. Guitarras perfeitas, vocais na mais pura harmonia e uma ótima letra. Goodbye Song é a mais longa do álbum, com seus mais de 8 minutos, mas a jam session que se transforma o solo não cansa. Esse apelo crasyhorseano da música é, na verdade, reconfortante.

Don’t Ask Me To Change” tem linhas melódicas que me lembraram, de imediato, uma música dos anos 80 que eu amo (a saber, “Under The Milky Way” do The Church). Sendo assim, não tem como ser ruim! Completa o primeiro lado a faixa título, com aquele cheiro de mato queimado, terra molhada e tudo o que possa ser contrário a urbano. Maravilhosa.

Absolutamente encantado com o álbum, fui ouvir, aí sim em ordem cronológica, seus demais álbuns, que são mais dois e uma coletânea de b-sides, todos ótimos. Percebi que a crítica apostou suas fichas e louvou o primeiro álbum deles, homônimo, de 2013. De fato, é um disco pujante e poderoso, mas, na minha audição, o “fator desconhecido” que fez com que adorasse esse “Lonely Is A Lifetime”. Mas vale dizer que foi a competência desse primeiro álbum que levou a desconhecida banda a abrir shows de Dylan.

Fonte: Divulgação. Foto: Frank Maddoks

Sabendo que a banda não tem divulgação por aqui, faço questão de indicar ao leitor este álbum. Permita-se transportar para o meio do mato, com grilos estridulantes e sapos coachantes. 
The Wild Feathers atualiza o Alt Country para os anos 2020, e o faz com confiança, maestria e muita competência.

FICHA TÉCNICA
Ano: 2016
Gravadora: Warner Bros
Faixas: 11
Tempo Total: 49:05
Produtor: Jay Joyce
Destaques: “Goodbye Song”, “Don’t Ask Me To Change”,”Happy Again”
Pode agradar fãs de: indie rock, alt country, Ben Kweller, Wilco, Ryan Adams.

Rodrigo Melão

Rodrigo “Melão” Camargo é pai da Victória, tutor da Padmé e casado com a Cibele, não necessariamente nessa ordem. Beatlemaníaco, Corinthiano, cozinheiro de urgências, ávido consumidor de música, filmes e séries. Às vezes um cara legal, às vezes letal. Escreve semanalmente no Instagram @prazeresplasticos. Escreve também para o site URGE (urgesite.com.br). Trabalha no setor de Telecomunicações há 25 anos, mas formou-se em Comunicação Social, talvez no intuito de manter acesa sua vontade de escrever sobre suas paixões.

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